Aos Pais e Educadores

Um centurião se aproximou de Jesus para pedir a cura de um soldado de seu batalhão que estava muito doente. Ele não era judeu, mas confiava no poder do Homem de Nazaré. Ele acreditou no poder daquele Homem que andava pelos caminhos da Palestina trazendo a paz, a saúde e a felicidade para todas as pessoas. Quando o Mestre lhe disse que iria até sua casa, ele respondeu com muita fé: “Eu não sou digno de que o senhor entre em minha casa. Se o senhor disser uma palavra ele ficará curado. Eu sei o que significa dar uma ordem. Eu tenho muitos soldados sob a minha autoridade e eles me obedecem quando dou uma ordem”. Jesus ficou admirado com a fé daquele centurião não-judeu. E fez o que ele pediu.
Jesus poderia ter convidado aquele soldado para deixar tudo e fazer parte de sua equipe de trabalho, como fez com outros doze homens. Mas aquele homem era muito importante no lugar onde estava. Ele estava fazendo um maravilhoso trabalho no exército, não apenas se preocupando com as tarefas e obrigações que seus comandantes lhe atribuíram, mas também com cada pessoa que estava sob suas ordens.
Para o centurião, o ser humano era mais importante e ocupava o primeiro lugar em sua missão. Deus gosta de trabalhar em equipe, por isso dá a cada um uma missão a realizar aqui na terra. Ele conta com a participação de cada ser humano. Espera que cada um faça a sua parte e faça bem feito. Essa missão cada um é chamado a realizar no lugar onde se encontra: em casa, na empresa, no esporte, na direção do país, no tribunal...
Ao iniciar o ano letivo e ver as crianças voltando para a escola pensei nos pais e educadores. Creio que não há missão mais importante do que ir até a escola para dar “aula de religião”. Será que o ser humano está dividido, fragmentado? Alguns cuidam da inteligência, outros do físico e outros ainda do espírito?
E ainda mais: há muitos educadores que são cristãos, freqüentam grupos de oração, movimentos pastorais, cultos religiosos e outras funções ministeriais e, no entanto, deixam de despertar, alimentar e formar para os verdadeiros valores, “ensinando” a ser humano. Não é questão de igreja, de religião, de bíblia, mas de “construir a casa sobre a rocha”.
Tenho saudades do tempo em que os pais não faziam todas as vontades dos filhos, mas impunham limites, restrições, disciplina, tarefas e obrigações a cumprir. Por que os filhos só precisam receber e serem atendidos em seus desejos e vontades? São desejos e vontades que contribuem para serem mais “humanos”? Fazer o quê? Já temos um espelho diante de nós: Jesus Cristo, um ser verdadeiramente humano em seu modo de ver, de pensar, de julgar, de viver, de conviver, de agir.

 

Côn. Luiz Carlos F. Magalhães é jornalista

e pároco da Igreja Cristo Rei

 

 
 
 
 
 
 
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