De
olho no PAN
As portas se abrem para os Jogos Pan-americanos
do Rio de Janeiro. Nossos olhares se voltam para
uma série de competições envolvendo
nossos atletas e de países vizinhos. Valores
e virtudes se exigem daqueles que querem subir no
pódio e levar para casa alguma medalha.
Pratiquei muito esporte como estudante,
no seminário, e consegui muitas vitórias
no conhecimento e no domínio sobre mim mesmo,
no aprendizado da disciplina, da renúncia
e do respeito às limitações
dos outros. Quando cheguei na Paróquia Cristo
Rei, encontrei adultos e jovens jogando futebol
em nossa quadra. Com a colaboração
do Walter Firmino, Gilson e Paulinho pudemos organizar
a participação dos jovens, conscientes
de que o primeiro passo não era levar para
a igreja, mas para o uso do esporte como instrumento
de educação.
Olhando a vida dos esportistas em
geral, em quase todos os esportes, percebemos uma
vida de renúncia, disciplina, aplicação,
sacrifício, persistência e perseverança.
A mente está voltada para os exercícios
que precisam ser repetidos à exaustão.
Menores de cinco anos já estão compreendendo
que é preciso deixar muita coisa de lado,
se realmente existe desejo de vencer.
Através do esporte, as pessoas
aprendem a manter uma disciplina, não só
física, corporal, mental, mas também
emocional e espiritual. Quantos atletas aprenderam
muito com seus erros: perderam a cabeça
e compreenderam que ainda não aprenderam
a tomar conta de si mesmos. Na verdade,
a vitória não está só
no placar, em números frios,
mas na própria pessoa que se prepara para
enfrentar outras batalhas no campo da
vida.
Tudo é uma conquista. E as
pessoas aprendem em campo, na luta, na competição,
no exercício, e não apenas em palestras
e estudos teóricos. É preciso colocar
os jovens em situações de conflito
para aprenderem sozinhos e com os outros a se conhecerem
e a superar as dificuldades. No dia-a-dia aprende-se
que não se vence a si mesmo e nem se conquista
o autodomínio, o autocontrole, em um só
jogo, em um ano, mas ao longo da vida. É
por isso que o Apóstolo Paulo, o grande Atleta
de Cristo, compara a vida com o esporte: combati
o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.
Cada jogo, cada atividade esportiva torna o atleta
mais forte, mais consciente de seus limites, de
suas possibilidades, de seus valores.
E quando o esporte não é
individual, ensina a viver em equipe, respeitar
os outros e ajudá-los a usar todas as suas
potencialidades. Grandes conquistas da humanidade
são frutos do trabalho em equipe. Mesmo que
alguém faça alguma descoberta por
esforço pessoal, individual, virá
outra pessoa, que se apoiará naquelas descobertas,
para novas conquistas.
O esporte traz outros benefícios
que, cada um poderia descobrir com sua própria
pesquisa. Por exemplo: desenvolve o espírito
cívico, estimula reflexos, orienta socialmente,
cria o senso de responsabilidade, desenvolve o raciocínio,
trás o autocontrole para conviver com as
pessoas e a harmonia para a oração,
a diversão, a busca do autoconhecimento e
da paz interior.
Agora, vamos ficar de olho no Pan
e de olho nas crianças e jovens de hoje para
usar do esporte como uma ferramenta importante para
a formação do ser humano.
Côn. Luiz Carlos F. Magalhães
é jornalista
E pároco da igreja Cristo Rei
