A fecundidade voltará

 


Já estamos acostumados a comemorar o Dia das Mães. Nesse dia sempre me lembro de todas as mães que geraram filhos, daquelas que adotaram crianças sem família e de tantas outras que acolheram filhos do coração, quando renunciaram ao matrimônio para se consagrar ao serviço da comunidade. Elas fazem companhia para os moradores de rua, os doentes nos hospitais, os idosos nas casas de repouso e os menores das creches e abrigos.

Conheço o drama de muitas mães que perderam seus filhos nas esquinas da cidade, vítimas de violência, de drogas e de enfermidades fatais. Nem se fala daquelas que não sabem mais o que fazer para conquistar o amor de seus filhos ou ajudá-los a deixar os caminhos do medo, da dor, das ameaças de violência e de morte.

Penso e reflito naqueles países da Europa que investiram, por cinco décadas, na redução das taxas de natalidade e agora, como que arrependidos, começam a incentivar os casais a gerarem filhos. Os efeitos perversos desse “inverno demográfico” corroem a sociedade e a economia. Por isso, tomaram a decisão de valorizar a família.

Já em 2001, o historiador francês Pierre Chaunu lançava um apelo às mulheres, pedindo que acabassem com o “suicídio demográfico da Europa”. Depois da Suécia, também a França se despertava para os efeitos negativos da recusa de gerar filhos. Mesmo no plano econômico, a falta de crianças significava redução do consumo, levando ao fechamento de escolas e de fábricas.

Os programas do governo francês oferecem polpudos prêmios em dinheiro para os novos nascimentos, criação de centenas de creches e licenças do trabalho remunerado, pelo prazo de 18 meses, para o cônjuge que ficar em casa para cuidar do bebê. Os efeitos e frutos não demoraram a chegar: os novos nascimentos alcançam a marca de 2,1 filhos/casal.

Chaunu reconhece que a França conseguiu atualmente renovar as gerações. Ele recorda que a centralidade dos vínculos familiares sempre foi imortalizada pelos artistas, muitas vezes por meio de imagens simples que nada perderam de sua centralidade humana: “A ligação da criança com sua mãe é a mais natural de todas as relações. A mãe ama o seu filhinho, ele chama pela mãe, fica ligado ao seu seio à procura do leite materno... Só estamos vivos porque fomos gerados, ainda antes que educados, por uma mãe e um pai”. Diz ele ainda: “Estou convencido de que a fecundidade voltará também aos outros países europeus, mas sob a condição de que haja pessoas que defendam com sinceridade e convicção a vida de família”. Paralelamente, não deixa de causar espanto a realidade brasileira: enquanto a Europa investe na geração de crianças, o governo adota políticas nitidamente contraceptivas, cedendo pressão à ONU e de outras instituições.

Côn. Luiz Carlos F. Magalhães é jornalista e

Pároco da Igreja Cristo Rei

 
 
 
 
 
 
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