A
visão depois dos quarenta anos
Oftalmologista do Instituto Penido Burnier explica
o que acontece com a visão das pessoas após
os 40 anos.
Os principais avanços para o tratamento da presbiopia,
a popular "vista cansada".
O oftalmologista Alberto Gallo Neto, do Instituto Penido
Burnier, de Campinas, centro oftalmológico de projeção
internacional, faz uma análise da visão das
pessoas após os 40 anos e comenta as principais técnicas
disponíveis para o tratamento da presbiopia, conhecida
popularmente como "vista cansada". Gallo Neto
discorre no seu texto sobre essas técnicas e as suas
indicações para cada caso.
MINHA VISÃO DEPOIS DOS 40 ANOS - Você
é aquela pessoa que sempre enxergou bem, tem quarenta
e poucos anos, e aos poucos ou de repente, sua visão
para perto piorou e você começou a esticar
os braços? Ou já usava óculos e percebeu
que na leitura ou no computador sua visão embaçou?
Pois isso é absolutamente natural.
Nosso olho funciona como uma máquina
fotográfica. Quando apertamos o botão das
máquinas modernas, automaticamente, vemos no visor
o ajuste perfeito da imagem. É o ajuste do Foco.
Nossos olhos possuem lentes naturais e músculos capazes
de promover o foco da imagem em frações de
segundo. Este processo é chamado acomodação.
Ao redor dos 40 anos começamos a perder gradual e
naturalmente nosso potencial de acomodação,
portanto a visão para perto começa a piorar.
Mas porque a visão para longe se mantém estável?
Porque para a visão de longe, a musculatura do olho
e o cristalino (nossa lente natural), estão na posição
de repouso. Ao focar os objetos próximos, a musculatura
interna do olho se contrai, o cristalino muda de forma e
focamos corretamente. Ao perdermos esta capacidade, popularmente,
ficaremos com a vista cansada, na oftalmologia conhecida
como presbiopia.
E o que fazer para compensar a presbiopia?
Em primeiro lugar, usar óculos. Se a sua visão
é boa para longe, usar somente os óculos para
leitura, computador e trabalhos manuais é a opção
mais simples. Outra opção mais sofisticada
são os óculos multifocais, adequados também
para aquela pessoa que já usava óculos antes
dos 40 anos. Estes óculos ajustam a visão
para todas as distâncias. Mas as pessoas tendem a
resistir quando o oftalmologista prescreve os multifocais,
dizendo que não vão se acostumar, que já
escutaram de outras pessoas relatos desagradáveis
ou que são lentes "feias". Puro preconceito.
As lentes multifocais são transparentes, esteticamente
normais, ao contrário das bifocais, que mostram a
divisão na lente. A tecnologia envolvida nestas lentes
multifocais, proporciona uma qualidade visual excelente,
e uma adaptação bem tranqüila. Claro
que é necessário algum tempo e motivação
para se acostumar com estes novos óculos, como tudo
na vida. A movimentação da cabeça e
dos olhos devem se adequar a arquitetura da lente. Fazendo
uma analogia, lembre-se que ninguém nasceu sabendo
dirigir ou andar de bicicleta.
Mas como oftalmologista afirmo: 80% ou mais
das pessoas odeiam os óculos, preferindo sacrificar
sua nitidez visual a usá-lo. Digo que após
os 45 anos ninguém enxerga bem sem óculos.
Acostuma-se a enxergar mal. Se você está bem
para longe, está ruim para perto ou vice-versa no
caso dos míopes( estes podem tirar os óculos
para perto). Mas como enfrentar este desafio de corrigir
a visão das pessoas que tem pavor dos óculos?
Lentes de contato e cirurgia são as opções.
Vamos começar com as lentes de contato.
Se a pessoa enxerga bem para longe, podemos adaptar uma
lente de contato, somente em 1 olho, para perto. Fazemos
assim um bifocal natural. Um olho para longe, outro para
perto. Muitas pessoas se dão bem assim, nem que seja
para uso social. Uma opção simples e barata.
Mas aí vem a pergunta: este olho com a lente para
perto, vai piorar para longe? Sim. Com testes simples podemos
avaliar o comportamento visual com a lente.
Para aquelas pessoas que já tem grau
para longe, a estratégia é semelhante, colocando-se
uma lente de contato para longe e outra para perto. Ainda
em lentes de contato, as bifocais ou multifocais, também
podem proporcionar uma visão bestante nítida
para longe e perto, simultaneamente, havendo a necessidade
de um teste prévio mais detalhado, mesmo por se tratar
de lentes de contato mais caras. Também pode haver
comprometimento da visão de longe com estas lentes.
Por último, a opção cirúrgica.
Primeiro a cirurgia com raio laser, chamado Excimer Laser.
Uma cirurgia rápida, muito segura e de altíssima
precisão. Duas técnicas são feitas
com o laser, o P.R.K. (laser na superfície do olho,
com recuperação visual mais lenta) e o L.A.S.I.K.
(laser abaixo da superfície do olho, com recuperação
mais rápida). A melhor técnica para o seu
olho vai depender do seu grau, dos seus exames pré-operatórios
e do seu oftalmologista. Mas, novamente, caímos na
mesma situação: um olho vai melhorar para
perto e outro vai ficar para longe. 95% dos pacientes operados
desta maneira ficam muito satisfeitos e dispensam os óculos
de perto e longe para praticamente todas as situações.
A aplicação do laser de forma multifocal já
é realidade e está chegando no Brasil. Esta
forma de laser proporcionará visão para longe
e perto, para os dois olhos, com mínimo efeito colateral.
A segunda opção cirúrgica
são as lentes intraoculares. A cirurgia consiste
em substituir o cristalino natural, por uma lente nova,
com o grau apropriado de cada pessoa. Uma cirurgia rápida
e muito segura também. Geralmente é realizada
em pessoas acima dos 50 anos de idade, para graus mais altos
de longe e perto, ou pessoas que possuem contra indicação
para o Excimer Laser. As lentes intraoculares são
apresentadas em vários modelos, e a estratégia
de um olho para longe e outro para perto também pode
ser seguida. Porém existem pacientes que são
candidatos às lentes intraoculares multifocais, a
mais nova tecnologia em implantes oculares. Essas lentes
podem ser programadas para ajustar a visão para longe
e perto, nos dois olhos, com ótimos resultados. Uma
avaliação pré-operatória detalhada
é necessária para este tipo de cirurgia e
o oftalmologista deve orientar os prós e contras
do implante. A pessoa que realiza esta cirurgia, não
terá mais catarata (cristalino opaco), pois se trata
da mesma cirurgia com a intenção de corrigir
o grau.
Portanto, vemos que mesmo com a visão
começando a falhar após os 40 anos, a tecnologia
vem a galope para compensar estas perdas. A cada ano as
lentes de óculos e de contato ficam melhores, e as
cirurgias a Laser e de implantes mais seguras e previsíveis.
Mas não desanime, isso é só uma parte
das nossas mudanças oculares. É após
os 40 anos que devemos intensificar o diagnóstico
e prevenção do glaucoma, da retinopatia diabética,
da degeneração macular e da catarata. Consulte
um oftalmologista pelo menos em intervalos de 2 anos.