Trabalho
executado no Bosque é divulgado nos EUA
Autor: Doni Vieira
O programa de enriquecimento ambiental desenvolvido com
as antas do zoológico do Bosque dos Jequitibás,
uma espécie de terapia para evitar que os bichos
fiquem estressados em cativeiro, tem reconhecimento internacional.
O trabalho foi publicado na edição deste mês
da revista The Shape of Enrichment, editada em San Diego,
na California (EUA).
De acordo com a coordenadora do Bosque, a
bióloga Eliana Ferraz, essa revista é considerada
a melhor publicação sobre enriquecimento de
animais silvestres do mundo. As reportagens e artigos são
disponibilizados também no site www.enrichment.org
.
O trabalho de enriquecimento com as antas
resultou também na elaboração de uma
monografia de conclusão de curso em 2008, da estudante
de biologia da Unimep de Piracicaba, Graziele Moraes, sob
a orientação de Eliana Ferraz. A aluna optou
por aplicar as técnicas aprendidas em uma família
de antas (um macho, uma fêmea e dois filhotes, Galileu
e o Lilico, nascidos no zoológico do Bosque dos Jequitibás
em 2007 e 2008.
Conforme a coordenadora, essa terapia é
desenvolvida permanentemente com a maioria dos animais do
zoológico e os resultados têm sido bastante
positivo.
A anta fêmea Calhi-danda, procedente
do zoológico de Bauru, tinha um histórico
de não ser uma boa mãe. Toda a vez que paria
um filhote, ela acabava pisoteando ou abandonando o mesmo.
De acordo com Ferraz, isto é sinal de stress. "Por
isso, resolvemos realizar o enriquecimento com a espécie,
que após um ano recebendo o atendimento, passou a
procriar normalmente e cuidar sem problemas dos filhotes.
A técnica interrompe a rotina e a monotonia do cativeiro,
proporcionando novas oportunidades aos animais", observou
a coordenadora.
Tipos de enriquecimento
Existem vários tipos de enriquecimento
ambiental, destacando o alimentar, sensorial, físico,
cognitivo e o social. O alimentar tem a finalidade de causar
uma certa dificuldade para os bichos e são colocados
itens que não são oferecidos diariamente no
cardápio. Uma técnica realizada com as antas
consiste em colocar no recinto algumas melancias com pequenos
furos, para os bichos explorarem até atingir a polpa
da fruta.
O enriquecimento físico visa deixar
o recinto mais semelhante ao habitat natural. O sensorial
enfoca os sentidos dos animais. Como exemplo, pode-se citar
o uso de sons como vocalizações, ervas aromáticas,
como canela em pó, hortelã, e manjericão.
O enriquecimento cognitivo tem o objetivo
de despertar a capacidade de discernimento do bicho. Com
relação às antas, é utilizada
um roda de madeira, com pequenos furos onde são colocados
pedaços de maçã ou outra fruta. O bicho
movimenta a peça para retirar o alimento.
Já o atendimento social dá chance
aos animais de conviverem com espécies que normalmente
ficam juntos no seu habitat.
Dispersor de sementes
A anta, cujo nome científico é
tapirus terrestris, é o maior mamífero terrestre
brasileiro. Em cativeiro o bicho vive, em média,
20 anos, enquanto que na natureza atinge cerca de 10 anos.
É um animal totalmente herbívoro, se alimentando
de gramíneas e frutos silvestres. Por percorrer grandes
distâncias, ela acaba sendo um dispersor de sementes,
contribuindo significativamente na recomposição
das florestas.
Em cativeiro são fornecidos ração
apropriada, legumes, verduras e frutas. Atualmente, o casal
de antas do Bosque dos Jequitibás está em
um recinto juntamente com um filhote de um ano e meio. O
filhote mais velho foi emprestado ao zoológico de
Itatiba para pareamento reprodutivo.
Prefeitura Municipal de Campinas
Departamento de Comunicação