Doces Lembranças

O castigo veio a cavalo

 

Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br

 

Da ultima vez eu mencionei que contaria as histórias dos cavalos do seo Paulino, marido da dona Elvira e pai do Adão (Nenê) e da Eva. Apesar da preocupação manifestada por alguns e dos protestos de outros, esclareço que eu apenas conto as histórias "autorizadas" pelos envolvidos e descarto os comentários feitos nos bate-papos regados à cerveja, até mesmo por não dar-lhes tanta credibilidade.
Além disso, como boa amiga, eu jamais comprometeria a imagem de ninguém, ainda mais de pessoas que foram tão importantes na minha infância e adolescência e das quais eu guardo as melhores recordações.
A história de hoje foi intitulada como "O castigo veio a cavalo" pelo nosso amigo, ator e clown Richard Riguetti (o Nê), que acaba de ganhar outros dois prêmios no Rio de Janeiro pelo seu trabalho, e também lembrada, confirmada e detalhada pelo Marcão Castelli, no aniversario de 15 anos da sua sobrinha Bianca, filha do Dada e da Lu Dressano
No final da década de 60 ou inicio dos anos 1970, o seo Paulinho vendia leite em litro pelas ruas do bairro naquelas charretes de madeira puxada por cavalos. Como a família do seo Paulino morava na rua Alberto Jackson Byington e o bairro sofria com um processo de aceleração imobiliária, cabia ao Adão a tarefa de levar os cavalos (Pingo, Mosquito, Guarani) e as éguas (Potranca e a Égua) para serem alimentadas em um pasto próximo da Vila Militar.
Essa tarefa o Adão dividia com a molecada, que transformava em uma grande diversão o revezamento dos cavalos que iriam para a lida ou ficariam no pasto. Eles aproveitavam para passear e cavalgar pelas ruas do bairro, embora muitas vezes a velocidade que imprimiam às montarias acabava transformando a brincadeira em um inconseqüente páreo.
Certa vez, creio que por imaginarem um hipódromo na rua Cônego Manuel Garcia que ainda não era pavimentada no trecho abaixo da avenida João Erbolato, eles foram surpreendidos por um ciclista que trafegava na mão contrária. Estavam o Adão, o Nê e o Marcão em dois cavalos (um deles, na garupa). O primeiro cavalo, "pilotado" pelo Marcão, acertou o ciclista em cheio e o atirou ao chão. Os cavalos tropeçaram e também caíram, derrubando os três cavaleiros.
- Pensamos que havíamos matado o cara. Ele ficou deitado no chão, de barriga para cima e só percebemos que estava vivo porque o seu pomo-de-adão era muito saliente e movia-se ao compasso da sua respiração. O Marcão, mais corajoso, levantou-se, ergueu o ciclista e virou-se para pegar a bicicleta dele. Queríamos chamar a ambulância, mas o cara não quis. Oferecemos para trazer-lhe água, mas ele também a recusou. Tentou seguir com a bicicleta, só que não conseguiu porque a roda estava toda torta. O cara colocou a bicicleta nos ombros e seguiu caminhando, carregando-a nas costas, conta Nê.
Um deles, no entanto, reconheceu a bicicleta como sendo de um colega do bairro (não sou a única a esquecer nomes) que morava na avenida João Erbolatoe foram até lá:
- Sua bicicleta está aí?, perguntaram.
-Está sim, no quintal.
-Você pode verificar?
Não estava. O rapaz que eles atropelaram a havia furtado momentos antes e estava em plena fuga quando foi "castigado" pelo encontro com os cavalos. Soube-se, depois, que o rapaz vivia em uma favela que existia no Taquaral e havia trabalhado para o pai do colega que teve a bicicleta furtada. Embora ele já tivesse vendido a bicicleta quando localizado, o dínamo e o farol da "magrela" ainda estavam com ele.
Mudando de assunto, no final de 2009 aproveitamos para matar a saudade de alguns amigos que não víamos há tempos. Entre eles, visitamos o casal José Dias e Luzia, que mora na rua Comunidade Lusíada. Eles, inclusive, conforme já contei aqui, até mesmo hospedaram toda a minha família na edícula da residência deles enquanto a nossa casa passava por uma ampla reforma no início dos anos 1970.
Pena que o José Ricardo, filho do casal e que eu tive a oportunidade de reencontrar na quermesse da Igreja Cristo Rei não estava lá. Mas foi justamente por mencionar esse encontro que o José Dias me contou toda a história da campanha da construção da igreja, que vou contar no artigo de março, já que o de fevereiro fatalmente será focado no carnaval.
E, por falar na Igreja Cristo Rei, agradeço o carinho e o churrasco da Turma do Futebol no final do ano. Adorei rever tantos amigos, como o Celso (irmão da Sueli, da Susy, Lilão e Denise), o Nelson (antigo - no bom sentido - colega de escola) e o Paulinho, que morava ao lado da sede social do Bonfim, na Julio Ribeiro e que, conforme me contou, até hoje continua baladeiro, atuando como DJ. Aliás, já combinamos organizar uma super festa. Quem sabe já a agendamos para logo após os festejos de Momo, né?

 

O jornalista Clovis Cordeiro faz

"A Defesa do Bairro".

Participe da campanha de combate ao transmissor da Dengue.

A participação de todos é fundamental para a construção de uma Campinas melhor.

jornaldecampinas@globo.com

Direitos reservados ©Grupo Jornal do Castelo