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O
Outono da Vida
Cônego Luiz Carlos F. Magalhães
A vida é um prêmio. Sou feliz por fazer parte
do grupo dos idosos. Dizem que é a melhor idade.
Não tenho compromisso com o futuro: vivo o presente
e busco qualidade de vida. Tenho muitas histórias
para relembrar e para contar, e sei também que ainda
posso aprender muito mais do que sei, aprendi e saboreei.
Não tenho inveja dos mais novos. De tecnologia eles
sabem muito mais do que eu, mas de experiência de
vida e de conhecimento da realidade sei muito mais do que
eles. Por falta de experiência e valorização
dos mais velhos, eles dão muita cabeçada,
erram mais, perdem tempo com coisas superficiais que nada
acrescentam ao Ser.
Nas civilizações antigas, o idoso era mais
respeitado na sociedade pelo acúmulo de vivência,
conhecimento, sabedoria e, principalmente, pela aparência
que impunha consideração. Característica
da época era a troca que acontecia naturalmente com
a convivência e a prática.
Hoje em dia o que vale mesmo é o novo: o consumismo
desenfreado está aí para confirmar. O velho
sempre é descartado, não se levando em conta
o quanto ele ainda pode ser útil e o quanto é
importante.
Conheço jovens que são heróis e servem
de modelo de vida: sabem quem são, valorizam seus
talentos, impõem a si mesmos disciplina e limites
porque têm idéias e ideais, e têm metas
definidas a atingir. Por isso, se superam pelo esforço,
perseverança, repetição de movimentos
e novas motivações. Os campeões olímpicos
estão aí para confirmar.
Não entro na paranóia de certos idosos que
tentam, a todo custo, ser jovens tanto na aparência
como no comportamento: mentem a idade e se transformam em
um clone, com plásticas, botox, tinta no cabelo;
compram carros da moda, se acabam nas academias e chegam
a trocar velhos amores por novos e interesseiros. São
velhos que se sacrificam de todas as formas para aparentar
uma juventude que já não existe, não
conseguindo enganar a ninguém, a não ser a
si próprios.
Nessa fase da vida que estou vivendo, o mais importante
é ter consciência de quem sou eu, o que posso
ser e o que ainda posso fazer. A vida oferece muitas possibilidades
para viver bem, evoluir, cuidar do Ser e ser melhor. Os
cursos de formação e atualização,
assim como o contato com outras culturas, espiritualidades,
artes e costumes, nas viagens que fiz a vida toda, ainda
hoje muito me ajudam para aceitar o momento presente e assimilar
o diferente que só enriquece.
Na vida o mais importante é ser feliz, e a felicidade
está dentro de nós, em nos aceitarmos como
somos e gostarmos de nós mesmos como somos hoje.
Não tenho que me preocupar pelo tempo que me falta
ainda de vida, mas com a maneira como estou vivendo cada
momento.
Côn. Luiz Carlos F. Magalhães é jornalista
E pároco da igreja Cristo Rei
Fevereiro de 2010
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O jornalista
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