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Dislexia e seus sintomas
Silvia Amaral de Mello Pinto*
A dislexia de desenvolvimento ou evolução
é uma dificuldade para aprender a ler, apesar da
criança ter uma inteligência normal (QI)
e ter sido submetida a um ensino adequado. Ela deve estar
isenta de outros distúrbios sensoriais, neurológicos
ou emocionais e não ser proveniente de um meio
sócio-cultural insatisfatório.
Segundo o DSM-IV - Manual Diagnóstico
e Estatístico de Transtornos Mentais (APA,1994)
a dislexia está classificada sob o código
315.00 - Transtorno da Leitura - na seção
sobre transtornos da Aprendizagem (anteriormente habilidades
escolares), na categoria Transtornos Geralmente Diagnosticados
pela Primeira vez na Infância ou Adolescência.
Os critérios para o diagnóstico
diferencial são:
rendimento da leitura (teste padronizado)
muito abaixo do nível esperado para a idade, tendo
em vista a escolaridade e a capacidade intelectual do
indivíduo (teste de Q.I.);
essas perturbações estejam interferindo
significativamente no sucesso escolar ou nas atividades
diárias que requerem capacidade em leitura;
em presença de um déficit sensorial, as
dificuldades de leitura excedem aquelas geralmente a este
associadas.
Apresento o conceito de dislexia segundo o DSM-IV por
ser um dos mais referendados mundialmente. Porém,
é necessário ressaltar as inúmeras
controvérsias a respeito da definição
do termo dislexia e suas implicações. Uma
análise mais cuidadosa mostra que esta definição
tem sua origem na corrente organicista (final do séc.
XIX), evoluindo através de uma trajetória
de exclusão. Nesse sentido é importante
acrescentar que os estudos sobre a Dislexia vêm
ganhando amplitude e profundidade, principalmente se considerarmos
os avanços médico-tecnológicos e
contribuições clínicas, ou seja,
de neuropsicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos
e médicos.
Em interação com a corrente
instrumental (psicólogos), a corrente pedagógica
(professores e pedagogos) desenvolveu baterias de avaliação
dos desempenhos em leitura, na verdade, baterias prognósticas
da aprendizagem, em plena consciência da complexidade
deste comportamento que é o saber ler (Grégoire
& Piérart, 1997).
As tentativas de avaliação
dos distúrbios de leitura fundamentam-se na sua
descrição sintomática.
São seus principais sintomas:
Distorções, substituições
ou omissões de letras, sílabas e palavras;
Lentidão na leitura;
Compreensão reduzida;
Dificuldades também na escrita.
Segundo Critchley (in CONDEMARIN, 1989, pág. 21),
existem algumas premissas para se diferenciar a dislexia
específica das demais causas de dificuldades na
leitura. São elas:
dificuldade para ler persistente até
a idade adulta;
erros na leitura e na escrita de natureza peculiar e específica
(ver acima);
incidência familiar da síndrome;
dificuldade associada à interpretação
de outros símbolos.
Desta forma, o conceito de dislexia está associado
às diversas competências necessárias
à leitura:
competência léxica, isto é,
o conhecimento que a criança tem de um certo número
de palavras e sua aptidão para ter acesso rapidamente
ao vocabulário mental assim constituído;
consciência fonológica, a capacidade de segmentar
uma palavra em unidades menores como as sílabas
e de decompô-las em seus componentes fonológicos;
memória operacional.
Nas crianças em processo de aprendizagem da leitura
e escrita e nas disléxicas, em especial, precisamos
estar atentos a que rota elas usam preferencialmente,
para estimulá-las, através de diferentes
atividades perceptivas e cognitivas, a fazer uso dos dois
processos: o fonológico e o lexical.
Para estimular o processo fonológico,
precisamos desenvolver sua consciência fonológica,
através de atividades onde a percepção
e memória auditivas sejam trabalhadas.
Para estimular o processo léxico
- semântico, precisamos trabalhar a percepção
e memória visuais, além de atividades cognitivas
para enriquecimento da linguagem como um todo.
Desta forma, para ler, escrever e processar
as informações, em geral, o sujeito faz
uso de três grandes funções - a percepção,
a cognição e a emoção
que encontram-se intimamente relacionadas.
Lembrando Ajuriaguerra (1952), a nossa experiência
nos demonstra que não é possível
encontrar explicações unicausais aplicáveis
a todos os disléxicos em geral.
São diversas as teorias, muitas as
conclusões obtidas e outras tantas a serem ainda
investigadas.
Mais importante do que definir dislexia
e sua etiologia, no sentido de uma rotulação,
é diagnosticá-la e tratá-la de modo
adequado, a partir de seus sintomas, direcionando a intervenção
de forma particular e procurando investigar o seu significado
em cada caso.
* Pedagoga, psicopedagoga e membro do Conselho
e da Diretoria da ABPp Nacional, além de coordenadora
da Elipse Clínica Multidisciplinar