Infarto:
conheça seus mitos e verdades
O Infarto do Miocárdio, popularmente conhecido como
ataque do coração, acontece em decorrência
do entupimento agudo de uma artéria do coração
por um coágulo, ou seja, uma placa de gordura que
se deposita na parede da artéria, dificultando a
passagem de sangue, propiciando a formação
de um coágulo em determinado instante que bloqueia
a circulação sanguínea.
Com a diminuição total ou parcial
do fluxo de sangue na artéria coronária, que
nutre o coração, a área afetada sofre
uma injúria irreversível, provocando alteração
da função, que pode causar morte súbita
ou insuficiência cardíaca, o que limita a capacidade
física do paciente. No Brasil, segundo estimativa
do Ministério da Saúde, ocorrem cerca de 900
mil infartos por ano, provocando cerca de 300 mil mortes
anualmente. Muitas mortes ou sequelas irreversíveis
poderiam ser evitadas, se o infartado recebesse os primeiros
socorros de maneira adequada.
As maiores vítimas costumam ser os fumantes, hipertensos,
diabéticos, pessoas com altos níveis de colesterol
ou com antecedentes de familiares próximos que tenham
sofrido um infarto antes dos 55 anos. O principal sintoma
do infarto é a forte pressão no peito ou nas
costas, que demoram a ir embora e começam a se espalhar
pelos ombros, braços ou pescoço. Os cardiologistas
usam a máxima dor acima do umbigo é
sinal de perigo.
A dor no peito geralmente vem acompanhada
de suor, tontura, náusea, sensação
de plenitude gástrica e falta de ar. Ao surgirem
os primeiros sintomas, procure socorro imediatamente,
orienta o Dr. Helio Castello, diretor da Angiocardio e coordenador
do Centro de Hemodinâmica e Intervenções
Cardiovasculares do Hospital Bandeirantes (SP).
Caso esteja com alguém que apresente esses sintomas,
mantenha a pessoa calma e aquecida. Salvo orientações
médicas, não lhe dê nada de comer ou
beber. Desde que a pessoa não apresente dificuldades
para engolir e não seja alérgica, dê-lhe
um comprimido de aspirina, que ajuda a prevenir coágulos
sanguíneos. Se a vítima desmaiar, verifique
sua respiração e seu pulso.
Na ausência desses sinais vitais, comece imediatamente
os procedimentos de primeiros socorros e peça parar
chamar o serviço de emergências, aconselha
o médico. Estes procedimentos básicos de atendimento
de emergências cardiovasculares podem ser aprendidos
através de treinamentos específicos disponíveis
em grandes centros médicos do país. Não
tente transportar a pessoa desfalecida, pois ela corre um
grande risco de morrer durante o trajeto para o hospital.
O melhor a ser feito é afrouxar suas roupas e mantê-la
em posição confortável.
Mitos e verdades sobre o infarto:
Como em qualquer assunto de repercussão, existem
alguns mitos sobre o infarto que precisam ser desmistificados,
tanto para salvar vidas, como para manter-se melhor informado.
Mitos:
Infarto ocorre apenas em quem fuma
não é verdade, porém vale salientar
que os fumantes têm muito mais chance de desenvolver
esta doença.
Quem teve um infarto fica incapacitado para toda
a vida mentira hoje temos tratamentos eficazes
para se propiciar uma boa qualidade de vida para estes pacientes,
porém é importante que os cuidados iniciais
sejam tomados muito rapidamente, pois tempo é
vida.
A maioria das pessoas que sofre Infarto morre
mentira felizmente devido a evolução
tecnológica e padronização de condutas,
com atendimento rápido e eficaz, incluindo o desentupimento
da artéria coronária acometida com cateterismo
(angioplastia e implante de pequena prótese
Stent) quando realizado nas duas primeiras horas do início
do quadro leva a sobrevida de mais de 90%, com boa qualidade
de vida.
As pessoas que tiveram infarto com tratamento adequado
estão curadas e não precisam mais acompanhamento
mentira recentemente houve um estudo clínico
no INCOR que mostrou que os pacientes com mais acesso a
cuidados ambulatoriais têm evolução
melhor a longo prazo.
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Verdades:
As vítimas de infarto podem ajudar a si mesmas
tossindo com força repetidas vezes. Basta inspirar
antes de tossir profundamente, como se fosse expelir catarro
do peito e repetir a seqüência inspirar/tossir
a cada dois segundos, até que chegue o socorro ou
o coração volte a funcionar normalmente.
A inspiração profunda leva oxigênio
aos pulmões e a tosse contrai o coração,
fazendo com que o sangue circule. A pressão da contramão
do coração, também o ajuda a retomar
o ritmo normal.
Segundo o estudo do Instituto Karolinska, da Suécia,
publicado pelo New England Journal of Medicine, os casos
de infarto aumentam cerca de 5% na semana seguinte ao horário
de verão, principalmente nos três primeiros
dias.
Para o pesquisador envolvido no estudo, Imre Janszky,
a hora de sono perdida e as consequencias que a falta de
sono traz ao organismo, são as explicações
mais prováveis para o aumento dos casos.
O melhor tratamento para o Infarto é o cateterismo
cardíaco seguido de angioplastia que deve ser realizado
nas primeiras horas, com índices de sucesso maiores
que 90% (diretrizes da SBHCI www.sbhci.org.br).
Apresentação Dr. Hélio
Castello:
- Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina
de Santo Amaro 1986;
- Especialista em Cardiologia pela UNIFESP;
- Especialista em Cardiologia pela Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC);
- Mestre em Cardiologia pela UNIFESP
1993;
- Membro Titular da Sociedade Brasileira de
Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI);
- Membro Fundador da Sociedade Latino-americana
de Cardiologia Intervencionista (SOLACI);
- MBA em Gestão Hospitalar e Sistemas
de Saúde pela FGV;
- Delegado Regional SUDEST da Diretoria de
Qualidade Profissional da SBHCI;
- Coordenador do Centro de Hemodinâmica
e Intervenções Cardiovasculares do Hospital
Bandeirantes (SP);
- Diretor da Angiocardio