Escultor Fausto Mazzola,cinco
anos de seu falecimento
Quem visitava o escultor Fausto Mazzola, aqui
em Campinas, certamente era convidado a admirar, na parede
de sua sala, um quadro de larga moldura, envidraçado.
No centro, em destaque, lia-se "Cidadão Avareense",
título que ele ganhara de Avaré, no interior
do Estado de São Paulo, e do qual se orgulhava muito.
Foi assim o Prof. Mazzola - como gostava de ser chamado
-, até o dia 21 de abril de 2004, há cinco
anos, quando faleceu vítima de um fulminante enfarte
do miocárdio: lembrava-se constantemente do seu tempo
naquela cidade, período que considerava o mais feliz
de toda a vida.
Mas, por mais que se esforçasse, agora ele não
era mais o Prof. Mazzola de cinquenta anos antes: em 1959,
no entusiasmo de seus quarenta anos, cheio de idéias
e esperanças, vivia seu melhor momento profissional
e pessoal, prestigiado nas rodas da sociedade local como
o educador experiente, que chegava na pequena Avaré
para instalar a recém criada Escola Artesanal "Dr.
Jânio Quadros", impulsionando o ensino profissional
na região.
O destino, no entanto, reservava-lhe muito mais: a cidade
ainda não o conhecia como um artista renomado, de
grande talento nas artes plásticas desde seus anos
de juventude. E foi com surpresa que a cidade presenciou,
logo nos primeiros meses por aqui, um outro Fausto Mazzola,
o escultor.
Assim, uma a uma, vieram suas obras doadas à comunidade
avareense: o Desbravador, o Pracinha, a Fonte das Artes,
o Cristo em Ascensão no Largo Santa Cruz, o Relógio
Solar, a remodelação de praças e calçadas
com mosaico português, a partir de desenhos formados
por palmas gregas de sua autoria.
Em Campinas
Em 1963, nomeado Diretor da Escola Industrial
de Americana, transferiu-se com toda a família para
Campinas. Aqui, confirmaria o seu talento: inúmeras
as obras de escultura de sua autoria, bustos, medalhões,
cabeças, baixos relevos, hoje, são encontrados
em escolas, clubes, avenidas, praças da cidade. Exemplos?
Os bustos de Guilherme de Almeida, em frente ao Palácio
da Justiça e no Círculo Militar de Campinas;
do Eng. Lix da Cunha, na avenida Suleste; de Don Paulo Tarso,
no antigo Palácio Episcopal; do ex-presidente da
Fonte São Paulo, Hélio Peres Valverde, em
frente ao Clube. Durante vários anos, era procurado
por prefeituras do interior e de outros Estados para a execução
de trabalhos de escultura, homenageando figuras ilustres
desses municípios, como foi o caso do busto do Dr.
Adolfo Bezerra de Menezes, erigido em Sacramento, Minas
Gerais.
Nesta cidade teve a oportunidade de expressar sua arte,
também, através da pintura, resgatando um
talento desenvolvido na juventude. Deixou "óleos",
que retratam cenas bucólicas da região, naturezas
mortas e retratos de senhoras da sociedade campineira, como
Cecília Steimberg e Mariza Xavier. Concorreu em vários
salões de belas artes no Estado de São Paulo,
tendo sido agraciado com a Pequena Medalha de Prata e a
Grande Medalha de Prata no Salão Paulista de Belas
Artes, o que lhe conferiu integração no Júri
do referido Salão. Obteve, também, a Medalha
de Ouro no Salão Barbarense de Belas Artes e o Prêmio
Ipar, do Salão Ararense de Belas Artes.
A sociedade campineira o homenageou condignamente: foi destacado
como patrono de uma das cadeiras da Academia Campinense
de Letras e Artes das Forças Armadas e, por autoria
do ex-vereador Carlos Signorelli, a Lei Municipal 12.521,
já publicada no Diário Oficial do Município,
deu o seu nome para uma Praça Pública no bairro
da Saudade.
Foi um dos últimos escultores acadêmicos ainda
em atividade no Estado de São Paulo. Ia embora da
maneira como, em vida, sempre pedira: de repente, cercado
de sua família e das pessoas que mais o queriam.
Gustavo Osmar Mazzola
mazzola@sigmanet.com.br