Obesidade
preocupa mais que desnutrição no Brasil
Instituições
brasileiras alertam para a importância do
nutricionista nas ações de saúde
pública
Após as comemorações
do Dia Mundial da Alimentação (16
de outubro), o Observatório de Políticas
de Segurança Alimentar e Nutrição,
do Centro de Estudos Avançados de Governo
e Administração Pública da
Universidade de Brasília (OPSAN/CEAG/UnB),
o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) e a Universidade
Federal Fluminense divulgam um estudo que alerta
para o papel da nutrição como área
estratégica da Atenção Primária
à Saúde.
O estudo insere-se em um contexto
emergencial da saúde nutricional brasileira.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), enquanto
a desnutrição teve uma queda de 9,5%
para 4% da população, o número
de brasileiros acima do peso aumentou de 1975 a
2003. Atualmente, 40% dos adultos no país
estão longe do peso considerado ideal, com
Índice de Massa Corporal (IMC) superior a
25.
As instituições elaboraram
um estudo com argumentos baseados na situação
epidemiológica atual, que apresenta razões
que justificam a incorporação de ações
de alimentação e nutrição
na porta de entrada da rede prestadora de atenção
à saúde. A partir dessa abordagem,
o documento elucida a importância dessa incorporação
para a qualificação e a garantia da
integralidade da atenção à
saúde oferecida à população
brasileira.
A pesquisa considera, ainda, a convergência
dessas ações públicas com a
Política Nacional de Atenção
Básica em Saúde, a Política
Nacional de Alimentação e Nutrição
(PNAN), a Política Nacional de Segurança
Alimentar e Nutricional (LOSAN) e a Política
Nacional de Promoção à Saúde,
vigentes no Brasil.
Ao apresentar o contexto atual em
que cresce o consumo calórico e diminui o
de frutas, verduras e legumes, o documento defende
que "fortalecer e qualificar o cuidado nutricional
no âmbito da atenção primária
é uma forma mais econômica, ágil,
sustentável e eficiente de prevenir a ocorrência
de novos casos de obesidade e doenças associadas
à má alimentação".
Segundo Elisabetta Recine, coordenadora
do OPSAN, o documento pretende alertar para a importância
do nutricionista na atenção primária
à saúde, de forma a fomentar a alimentação
saudável e ações mais concretas
e integradas, que possam impactar positivamente
no cenário da saúde brasileira a longo
prazo.
O Paradoxo Desnutrição
X Obesidade
Conforme o estudo, a transição
nutricional no Brasil é marcada pela dupla
carga de doenças, com a convivência
de doenças infecciosas e transmissíveis,
desnutrição e carências nutricionais
específicas e de Doenças Crônicas
Não-transmissíveis (DCNT). As
ações de alimentação
e nutrição na atenção
primária têm um papel imediato e muito
forte, que é a proteção à
saúde. Muitas doenças são relacionadas
à alimentação, como a obesidade,
doenças cardiovasculares, hipertensão,
diabetes e alguns tipos de câncer, explica
Elisabetta.
A professora alerta também
para o crescimento de alimentos calóricos,
com alto teor de açúcares, gorduras,
sal e aditivos químicos pobres em
nutrientes como vitaminas, sais minerais e fibras.
Temos dois mundos, o da obesidade e o da desnutrição,
que convivem e fazem parte de um mesmo universo.
A alimentação saudável previne
tanto um quanto o outro, acrescenta Elisabetta.
Dirigido a gestores federais, estaduais
e municipais de saúde, o documento se destina
também a profissionais de saúde, especialmente
ao nutricionista, pois aborda a abrangência
da atuação do nutricionista nessa
área.