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O
tempo que não temos
Muita gente anda dizendo por aí: eu
não vejo o tempo passar; já estamos às
portas do Natal. O que está acontecendo? Não
somos mais os donos do tempo. O tempo tomou conta de nós.
A corrida contra o relógio está sendo desculpa
para marido e mulher não terem tempo para conversar
sobre seus sentimentos; para acompanhar os filhos na escola
e na educação da fé; para cuidarem
de sua saúde e de sua família; de participarem
nas reuniões ou celebrações na igreja,
na sinagoga, no templo. O que fazer para controlar o tempo
e assumir o leme da nossa vida?
As pessoas acabam envelhecendo e não conseguem viver
a vida, curtir as reuniões familiares, o desabrochar
e o crescimento dos filhos. "Oh, meu filho, dizia aquela
mãe, enquanto fechava a geladeira e colocava o alimento
no microondas: eu não sabia que você tinha
uma coleção de troféus, em seu quarto.
Você nunca me contou em que esporte está alcançando
tanto sucesso!" O filho interrompeu seu diálogo
com os amigos, através da internet, e respondeu carinhosamente:
"Pois, é minha mãe; também você
nunca teve tempo para me ouvir, quando vinha correndo para
casa, todo feliz, para contar as medalhas e taças
que estava conquistando, com meu esforço pessoal
e a ajuda dos companheiros da escola!"
Não sei se é uma boa distração
para os idosos, mas os pais andam terceirizando a educação
e deixando os filhos com os avós, com os professores
da escola, com os catequistas da igreja, com os instrutores
das academias e salas de esporte. Outro dia, me dizia um
pai: "Estou um tanto preocupado pensando o que andam
fazendo os jovens nos bailinhos e boates da vida! Vejo que
eu e outros pais deixamos os filhos na porta dos clubes
e voltamos para casa. Quem são os amigos de nossos
filhos? O que fazem lá dentro? E isso continua: na
porta da escola, da igreja..."
Está chegando o fim do ano e precisamos programar
uma avaliação geral de nossa vida, de nossos
objetivos de vida e de nossos projetos. O que realmente
queremos e o que buscamos? O que é prioridade e o
que secundário? Por que estamos correndo tanto, sem
tempo para viver e curtir a vida, a família, a comunidade
cristã, os relacionamentos...?
A técnica está transformando o homem num robô.
Ao invés de dominar a máquina, o homem está
sendo dominado por ela e tornando-se sua "imagem e
semelhança". Se o ser humano não se voltar
para dentro de si mesmo, não se espiritualizar, não
se deixar conduzir pelo seu espírito, o mundo e a
sociedade, pouco a pouco, poderão transformar-se
numa grande máquina, onde tudo funciona muito bem,
mas o homem não se realiza como Ser Pessoa, não
é feliz.
De fato, vivemos um novo tempo. A tão propagada "nova
era" é a do "Homem Novo" de que fala
São Paulo, marcado pelo domínio do espírito
sobre a matéria, pelo valor da pessoa segundo as
virtudes divinas que ele vive na matéria. Soa ávida
no espírito pode desenvolver a solidariedade, a fraternidade,
a misericórdia, a compaixão, a vontade explícita
de construir a paz... caminhos para o Homem realizar-se
como Pessoa, ser aquilo que deve ser e para o qual foi criado.
Côn. Luiz Carlos F. Magalhães
é jornalista
e pároco da Igreja Cristo Rei.
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