Santos e Heróis
Autor: Padre Luis Carlos F. Magalhães
Sem dúvida que os nossos jovens estão
precisando de heróis. Muitos andam desorientados,
fora do caminho, buscando a felicidade onde ela não
se encontra. Dói no coração ver esses
jovens correndo atrás de festinhas, rodeios, bailinhos
e shows de grandes cantores, sem uma base de vida, um ideal
que vale a pena viver e, até, por ele morrer. Muitos
já morreram por ideais grandiosos, na defesa da terra,
dos índios, dos direitos humanos e da vida. Em tempo
de discussões sobre lei do aborto, um tema para desviar
a atenção das mazelas dos que estão
no governo, tenho conhecimento de muitas mulheres-mães
morrendo para dar a vida para seus filhos. Morrendo de tanto
trabalhar e correr atrás de médicos e hospitais.
Precisamos urgentemente de heróis. Heróis
do passado e do presente. Não esses heróis
promovidos pela mídia que são como bolas de
sabão que aparecem rapidamente e da mesma forma desaparecem.
Hoje inventaram de falar de celebridades. Estão desvirtuando
e desfigurando o sentido da palavra celebridade. Nos meus
vinte e tantos anos de trabalho com os jovens usávamos
um texto de reflexão e de ação intitulado
Pedagogia do heróe. Reunindo-se em grupos,
eles iam descobrindo na história os homens e mulheres
que fizeram história através de ações
concretas em favor do povo: heróis na pátria,
na Igreja, no trabalho, na ciência, no esporte...
Onde estão nossos heróis? Que pessoas podemos
apresentar à juventude como verdadeiros heróis
a serem imitados e seguidos?
O mês de junho nos apresenta quatro heróis
que vieram com uma missão definida. Assumiram com
fé e coragem, mesmo à custa de riscos de vida
e de morte. Chamados para a missão não tergiversaram,
não se acovardaram em conquistas egoístas,
egocêntricas, materialistas e passageiras. Muitos
ouvem o chamado, mas depois se deixam levar pelo sistema
que engana, desperta sonhos passageiros e superficiais,
leva a caminhos obscuros e destruidores: a famosa maçã
que enganou Eva. A maçã do paraíso
colhida no pomar hoje tem outro nome e é colhida
na selva de pedra.
Santo Antônio, São João Batista, São
Pedro e São Paulo são os heróis deste
mês.
Estudamos a vida de cada um deles e percebemos o quão
felizes foram, colocando sua vida a serviço dos outros.
Santo Antônio, estudioso da Bíblia, devoto
da sagrada Eucaristia, de coração aberto para
acolher os pobres e dar-lhes alimento, considerado até
o santo casamenteiro. São João
Batista, deixou a família para viver no deserto,
pregar a conversão do coração, manter
a esperança do Messias, libertador do ser humano.
São Pedro, o chefe da Igreja Católica que
passou da negação de Jesus para uma doação
total à Igreja, anunciando o Evangelho e morrendo
na cruz para não trair o Mestre pela segunda vez.
São Paulo, o grande herói dos judeus que perseguia
os cristão levado pela sua convicção
religiosa, mas depois ouviu a voz de Jesus e entendeu que
o cristianismo era o aperfeiçoamente do judaísmo
e que Jesus não veio destruir a Lei, mas aperfeiçoá-la.
Heróis encontramos não só na Igreja
Católica, mas em todas as religiões e tradições
religiosas, como Mahatma Gandhi, Luther King, Desmon Tutu...
e os heróis de cada dia que em meio a tanta violência
e corrupção conservam-se fiéis à
Verdade, lutando por uma sociedade mais solidária,
fraterna, justa e pacífica.
Côn. Luiz Carlos F. Magalhães é jornalista
e
pároco da Igreja Cristo Rei.