Fome no mundo



Será que você tem consciência dessa realidade? Cerca de um bilhão e meio de pessoas, hoje, não tem como fazer uma refeição diária. Uganda, Etiópia, Bangladesh são um retrato dessa triste realidade. Há 50 anos atrás um agricultor africano colhia 10 quintais de grãos e guardava 8 para alimentar a família e sobravam dois quintais para vender a 29 dólares. Em 2001 ele precisava vender 4 quintais para comprar o essencial e vender por apenas 15 dólares.
Não é preciso ir muito longe. Aqui mesmo, em Campinas, muita gente consegue um prato de comida a um real, deixando muitos outros na rua dependendo da caridade pública. Dom Bruno costuma dizer que, se por uma semana, as instituições católicas deixassem de distribuir alimento, o Brasil entraria num caos. Exagero? Basta fazer a experiência.
Por que tudo isso? Deus é culpado ou o sistema político e econômico pecaminoso excludente? Algumas causas são malignas, dizem os entendidos no assunto: "catástrofes naturais, alterações do clima, guerrilhas locais, subsídios agrícolas sustentados pelo 1º mundo, e o desgaste do solo, pressionado pela gula da superprodução, ao lado do esgotamento dos lençóis aquíferos e do notável desperdício de recursos em armamentos e bens supérfluos, com prejuízo do investimento em aspectos essenciais da sobrevivência"
Para não ficar somente no negativo, podemos lembrar também as causas benignas: "o progresso da medicina no controle de doenças e epidemias, a redução da mortalidade, o sucesso das campanhas de saúde pública e o crescimento da população, o progresso de amplas camadas da população que passaram a consumir mais do que antes".
Será que temos remédios para dar uma solução a essa tragédia? O Evangelho nos aponta um caminho: a partilha e a frugalidade. Quem tem mais reparte com quem tem menos. Quem comia por três, passa a comer o suficiente e permite que outros dois participem da mesa. Não é possível continuar com essa obsessão da sociedade moderna pelo crescimento. Importa valorizar outras fontes de felicidade: a família unida, a segurança, a convivência na comunidade, a satisfação no trabalho, a boa saúde, o sentimento de ser alguém e de ser útil à sociedade, um ambiente variado, belo e saudável, uma sociedade aberta e democrática.
Nos idos de 1996, na festa de São Francisco de Assis, a Igreja apontou uma direção em seu documento "A Fome no Mundo": por exemplo, a escuta dos pobres, a integração social, a busca da paz e o urgente desarmamento, respeito ambiental, acesso ao crédito e ação comunitária. Precisamos de uma "reforma do coração", dizia o documento na última parte de seu texto.
É preciso derrubar as "estruturas de pecado": "a lógica do pecado que se insere no coração do ser humano está na origem das misérias da sociedade devido à ação das chamadas 'estruturas do pecado'. Para a Igreja, o egoísmo culpável e a busca do dinheiro, do poder e da glória questionam o próprio valor do progresso como tal" (Nº 64).
Uma palavra de apoio e incentivo aos que costumam abrir seu coração para o irmão: as campanhas de alimentos, as conferências vicentinas, as equipes sociais nas paróquias, as doações em supermercados, shows, palestras e atividades similares com entrega "paga" com um kilo de alimentos e a ação ativa, eficiente e organizada da Caritas Arquidiocesana.

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