Renato Coppola - Renato Coppola
Formado em Educação física pela PUC Campinas
Pós Graduando em Fisiologia do Exercício pela Universidade Gama Filho

Você treina pra quê?




Em meio à correria do dia a dia com estudos e trabalho já faz dez anos que eu arrumo um tempo pra malhar, seja correr, nadar ou musculação, é sagrado pra mim me exercitar regularmente.
Uma coisa que me intriga bastante na musculação, é que algumas vezes quando estou treinando ou dando aula sempre tem algum aluno que chega pra mim e me pergunta: O que você toma? Ou então: O que é bom tomar? Eles querem alguma dica de algum suplemento pra ficar forte, aí eu lhe pergunto: Você treina pra quê?Fica aquele silêncio no ar, e a pessoa não sabe responder, ou então aquele mais espertinho que lê algumas coisas fala: Eu treino pra melhorar meu condicionamento cardiorrespiratório e aumentar minha massa muscular. Tudo bem, mas por que não melhora?
É muito comum pessoas fazerem musculação e exercícios aeróbios para modelarem seus corpos por muito tempo, porém não obtém resultados.
Com certeza a alimentação é muito importante, e não podemos nos esquecer da nossa genética também, mas nesse artigo quero enfatizar algo que as pessoas esquecem: o exercício.
Por exemplo, se eu pedir para um sujeito destreinado fazer uma prova de 400 metros no atletismo, provavelmente ele vai parar na metade ou vai vomitar na chegada se completar a prova. Isso ocorre porque seu organismo não está adaptado e o estímulo que ele fez quebra a homeostase (estado de equilíbrio). Se ele fizer mais estímulos seu organismo promoverá modificações fisiológicas, a fim de restabelecer a homeostase, porém ultrapassando o nível de equilíbrio inicial. ( supercompensação).
Na musculação é a mesma coisa, assim como em qualquer prática de exercício regular, um dos objetivos principais a serem alcançados é a supercompensação, ou seja, a elevação dos estoques de substratos energéticos (principalmente de fosfocreatina e carboidratos presentes nos músculos esqueléticos e no fígado).
O exercício nada mais é do que um estresse e uma tensão causada ao organismo e para que haja a quebra da homeostase permitindo adaptação é necessário que esse estímulo seja forte, caso contrário se o estímulo for fraco ele só excita e não quebra a homeostase. Esse é o grande problema de pessoas que freqüentam academias, clínicas, esteiras na própria casa e até mesmo andam na lagoa do taquaral, o estímulo é muito fraco, por isso ficam anos naquilo e não mudam seus corpos.
Nós controlamos o estímulo com intensidade, duração, princípio de sobrecarga de variabilidade etc.
Porém, tome cuidado para não exagerar, pois caso o estímulo for muito forte ou a recuperação não for adequada ocorre o que chamamos de síndrome do overtraining (supertreinamento), ocorrendo regressão nos níveis de aptidão física.
Talvez você que se preocupa em que tomar pra ficar forte e está a anos na academia fazendo supino com vinte kilos, pare e pense: você não treina!
Se você quer aumentar sua atividade enzimática e ressintetizar substratos mais facilmente comece a treinar de verdade, porém respeite sua individualidade, pois como eu disse o exercício pode ser uma faca de dois gumes.
A partir de hoje lembre-se: Você treina pra quê??

Se você tiver alguma dúvida relacionado ao tema SAÚDE DO SEU CORPO envie um e-mail para: renatocop@yahoo.com.br

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