Asma na gravidez: acompanhamento
médico é essencial
Momento mágico na vida das mulheres,
a gestação requer cuidados especiais para
se chegar a um parto tranqüilo, sem riscos. Isso vale
para a saúde de modo geral, inclusive para a respiratória.
Num quadro de asma, por exemplo, o ideal é
buscar a orientação de um especialista e seguir
direitinho todas as recomendações relacionadas
ao tratamento, adverte o dr. José Eduardo Delfini
Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia
e Tisiologia.
Diversos fatores podem favorecer o agravamento
da asma na gravidez. Alteração hormonal, aumento
do volume uterino que, conseqüentemente, empurra o
diafragma, comprime o tórax e diminui a expansibilidade
dos pulmões, além de aspectos emocionais,
como ansiedade e insegurança. A gestante asmática,
registre-se, é mais suscetível a contrair
infecções respiratórias, especialmente
pneumonias.
Estatisticamente, a evolução
da asma na gestante é proporcional. Em 1/3 há
melhora das crises, 1/3 piora e 1/3 prossegue sem nenhuma
alteração. Para manter um quadro controlado,
recomendamos a procura imediata a um pneumologista para
a realização de tratamento preventivo. Como
a asma pode ser mais grave durante a gestação,
é importante um atendimento freqüente,
alerta o dr. Roberto Stirbulov, vice-presidente da Sociedade
Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e ex-presidente
da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).
É importante que as gestantes não
suspendam o uso de medicamentos, pois pode haver complicações
indesejáveis. Aliás, o uso da budesonida,
uma corticóide para inalação, apresenta
boa segurança e é autorizado pela FDA, agência
reguladora americana que controla alimentos, medicamentos,
entre outros itens.
Gravidez com asma não controlada
aumenta o risco do bebê. As complicações
tanto podem atingir a mãe, que pode ter pré-eclampsia,
diabetes e rompimento prematuro da bolsa, como afetar a
criança, que corre o risco de ter baixo peso ao nascer,
entre outros problemas, explica o dr. Stiburlov.
Ainda existem riscos, como a diminuição
de oxigênio na corrente sangüínea da mãe,
o que é fator de comprometimento do crescimento e
da sobrevida do feto, impedindo-o de se desenvolver normalmente.
Os sintomas costumam melhorar durante as últimas
quatro semanas da gravidez. Também é bom lembrar
que a criança pode ou não nascer com a doença.
Uma vez que se trata de um mal de origem genética,
transmissível pelo gene da mãe ou do pai,
não há como determinar antecipadamente.
Vale reafirmar que o acompanhamento
por um médico pneumologista é imprescindível
para o bom termo da gravidez e para a saúde do bebê.
Mantendo os cuidados para evitar as crises, a asma será
bem controlada e a gestação tranquila,
finaliza Stiburlov.