PIPA e SOPA, com punições
mais rígidas, são adiados nos Estados
Unidos.
Na última quarta, diversos sites saíram
do ar contra o projetos de lei.
Autor: G1, em São Paulo
O Congresso norte-americano anunciou o adiamento
da votação do projeto de lei antipirataria
PIPA (ato para proteção da propriedade
intelectual) e deixou "em espera" o
SOPA (Stop Online Piracy Act), segundo comunicados
divulgados nesta sexta-feira (20). Na última
quarta-feira (18), diversos sites ficaram fora
do ar em protesto contra o PIPA e o SOPA.
O Senado norte-americano anunciou o adiamento
da votação do PIPA, que estava prevista
para a próxima terça-feira (24),
"por causa dos eventos recentes”, anunciou
o senador Harry Reid.
Sobre o SOPA, a Câmara de Representantes
anunciou que “adiará” a consideração
do projeto de lei até que haja um consenso
mais amplo sobre a solução para
o “problema da pirataria on-line”.
“O problema é grande demais para
ser ignorado. Ouvi os críticos sobre a
proposta e é claro que precisamos revisar
a as maneiras de solucionar o problema”,
disse um comunicado de Lamar Smith, autor do projeto.
Entenda os projetos de lei
O Stop Online Piracy Act (SOPA) é um projeto
de lei com regras mais rígidas contra a
pirataria digital nos EUA. Ele prevê o bloqueio
no país, por meio de sites de busca, por
exemplo, a determinado site acusado de infringir
direitos autorais. O foco está principalmente
em sites estrangeiros, contra os quais as empresas
americanas pouco podem agir. No Senado, circula
o Protect IP Act, o PIPA, outro projeto sobre
direitos autorais que mira a internet.
Ambos são apoiados por empresas de entretenimento,
constantes alvos de pirataria, mas são
questionados por companhias de internet, como
Google, Facebook, Amazon e Twitter, que interpretam
as medidas como um tipo de censura aos sites e
à liberdade de expressão. Enquanto
o PIPA estava para ser votado no Senado, o SOPA
ainda é avaliado por comissão na
Câmara.
Proposta não foi abandonada
Após os protestos da última quarta,
a imprensa americana divulgou que alguns parlamentares
retiraram apoio ao PIPA e ao SOPA. Apesar de anunciar
o adiamento da votação, Reid deixou
claro que a questão ainda precisa ser resolvida.
“Não há razão para
que os problemas levantados por esse projeto de
lei não possam ser resolvidos. A pirataria
custa à economia norte-americana bilhões
de dólares e milhares de empregos todos
os anos”, diz o comunicado do senador.
“Vivemos em um país em que as pessoas
esperam, de maneira correta, que sejam compensadas
de maneira justa por um dia de trabalho –seja
essa pessoa um mineiro no deserto de Nevada ou
uma banda de Nova York”, afirmou Reid, completando
que “admira o trabalho que Leahy [Patrick,
senador que criou o PIPA] colocou no projeto de
lei”.
“Recomendo que Leahy procure um equilíbrio
melhor entre a proteção da propriedade
intelectual e a manutenção da abertura
e da inovação da internet”.
Lamar Smith, autor do SOPA, assumiu ter deixado
o projeto de lei “em espera”, mas
afirmou que “continuará a trabalhar
com empresas de internet e detentores dos direitos
autorais para combater a pirataria on-line e proteger
a propriedade intelectual norte-americana”.
Protestos
Na internet, a principal ação contra
o SOPA e o PIPA veio da Wikipédia, enciclopédia
on-line colaborativa, cuja versão em inglês
ficou fora do ar durante toda a quarta-feira (18).
Na página principal da Wikipédia
em inglês foi exibida a seguinte mensagem:
"Por mais de uma década, nós
gastamos milhões de horas construindo a
maior enciclopédia da história humana.
Agora, o Congresso dos EUA está considerando
uma legislação que poderia prejudicar
a internet livre e aberta. Por 24 horas, para
aumentar a conscientização, estamos
tirando a Wikipedia do ar".
O Google em inglês não ficou fora
do ar, mas também publicou uma mensagem
em sua página inicial, convidando cidadãos
americanos a participarem de um abaixo-assinado
contra as propostas. "Diga ao Congresso que
não censure a internet", afirmava
o texto na capa do site de buscas. Temporariamente,
o site chegou a exibir uma tarja preta sobre o
logotipo.
O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, também
postou na rede social sobre os projetos: "A
internet é a ferramenta mais poderosa que
temos para criar um mundo mais aberto e conectado.
Não podemos deixar que as leis pouco pensadas
fiquem no caminho do desenvolvimento da internet.
Facebook se opõe ao SOPA e ao PIPA e continuaremos
a nos opor a todas as leis que irão prejudicar
a internet."
O site de classificados Craigslist também
publicou uma mensagem contra os projetos de lei.
Quem tentou acessar o serviço de classificados
on-line entrou em uma página que falava
da lei e pedia que o usuário se manifestasse
contra ela. O mesmo ocorreu com a página
do Mozilla Firefox; o usuário encontrou
uma página preta com dizeres contra o SOPA
e o PIPA, mas conseguia fazer o download do navegador.
No Brasil, sites locais como os do Instituto de
Defesa do Consumidor (Idec) também exibiram
mensagens em protesto contra os projetos de lei.
No Twitter, o cantor e ex-ministro da Cultura
Gilberto Gil escreveu: "Acho muito bom que
nos juntemos contra os projetos do Congresso americano
que, caso aprovados, podem significar um caminho
sem volta para um fechamento da Internet".
Não há números oficiais de
quantos sites aderiram aos protestos.