Lançamento do programa de
atenção domiciliar Melhor em Casa
aumenta o acesso dos pacientes renais à
diálise peritoneal, uma terapia ainda subutilizada
O Ministério da Saúde (MS) anunciou
investimento até 2014 de R$ 1 bilhão
no Melhor em Casa, programa que ampliará
o atendimento domiciliar no Sistema Único
de Saúde (SUS). O Governo Federal afirma
que os recursos serão usados para compra
de equipamentos, medicamentos, insumos e transporte,
além dos salários das equipes de
atendimento. Tudo isso para oferecer à
população uma assistência
multiprofissional domiciliar mais próxima
dos familiares, tornar o atendimento médico
mais humanizado e acolhedor e reduzir a demanda
por internações nos hospitais.
O tratamento realizado na casa do paciente e
a proximidade com os familiares aumentam a percepção
de segurança, sem as pressões psicológicas
existentes dentro de um hospital. “No caso
dos pacientes renais crônicos, que frequentam
o ambiente hospitalar ao menos três vezes
por semana e para isso precisam estar sempre se
deslocando, a opção da diálise
peritoneal representa mais comodidade e qualidade
de vida. Além disso, amplia o convívio
familiar e oferece mais liberdade ao paciente,
que passa a ser menos dependente das pessoas para
cumprir o seu tratamento”, exemplifica Isoldi
Chies, presidente da ONG RIMVIVER, Associação
dos Renais Crônicos da região Nordeste
do Rio Grande do Sul.
A diálise peritoneal é uma terapia
renal alternativa à hemodiálise
e está contemplada na portaria emitida
pelo Ministério da Saúde que regulamenta
e garante à população o acesso
ao programa Melhor em Casa. Apesar de representar
economia de 5% aos cofres públicos, de
acordo com recente levantamento realizado pela
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp),
ainda é uma terapia subutilizada no Sistema
Único de Saúde (SUS). “A diálise
peritoneal é uma opção que
oferece qualidade de vida ao paciente, pois ele
não precisa se deslocar para fazer o procedimento,
e desonera o atendimento em clínicas e
hospitais. No entanto, a capacitação
e o treinamento das equipes de atenção
domiciliar são fundamentais para garantir
a qualidade no atendimento”, complementa
Isoldi.
As equipes que visitarão os pacientes
são multidisciplinares, formadas prioritariamente
por médicos, enfermeiros, técnicos
em enfermagem e fisioterapeuta. Outros profissionais
poderão compor as equipes de apoio. No
caso da diálise peritoneal, o paciente
tem mais oportunidade de manter a sua rotina de
trabalho, reduzindo assim a possibilidade de aposentadoria
precoce, além de continuar contribuindo
com a sociedade e sua família. Recentemente
foi feito o documentário “Escolher
e Viver” pela ONG ImageMagica, no qual diversos
pacientes atestam que o tratamento diálise
peritoneal tem sido uma experiência positiva
e transformadora em suas vidas.
De acordo com André François, fotógrafo
e fundador da ImageMagica, a diálise peritoneal
é um tratamento acessível que oferece
uma boa qualidade de vida, mas é pouco
difundida. “Durante quatro anos, percorri
o Brasil registrando a humanização
da medicina e o acesso à saúde.
Os pacientes renais crônicos chamaram a
minha atenção, pois dependem de
meios artificiais para sobreviver enquanto aguardam
o transplante. E a diálise peritoneal,
uma terapia domiciliar que leva o tratamento até
a casa do paciente onde quer que seja, ainda é
muito pouco conhecida”, argumenta.
Até 2014, o objetivo do Melhor em Casa
é alcançar a capacidade de atendimento
para 60 mil pacientes, com 1.000 equipes de atenção
domiciliar e 400 equipes de apoio implantadas.
Diante disso, é importante tornar público
os benefícios do tratamento de diálise
peritoneal com relação à
hemodiálise, econômicos e de qualidade
de vida dos pacientes, que pode continuar contribuindo
para a sociedade e sua família.
Diferenças entre a hemodiálise
(terapia realizada em clínicas e hospitais)
e a diálise peritoneal (terapia domiciliar)
Quando os rins falham, os produtos da degradação
metabólica e o excesso de água podem
ser removidos do sangue por meio da hemodiálise
ou da diálise peritoneal. Na hemodiálise,
o sangue é removido do corpo e circulado
por meio de um aparelho denominado dialisador,
o qual realiza a sua filtração.
Na diálise peritoneal, o peritôneo,
uma membrana existente no abdômen, é
utilizado como filtro.
A hemodiálise e a diálise peritoneal,
assim como o transplante renal, são custeadas
na maioria dos casos pelo Sistema Único
de Saúde – SUS.
Sobre a diálise peritoneal
A diálise peritoneal é uma alternativa
de tratamento para pacientes portadores de Insuficiência
Renal Crônica. Diferente da hemodiálise,
terapia que exige o deslocamento do paciente três
vezes por semana para fazer o tratamento na clínica,
na diálise peritoneal o paciente é
treinado e realiza o procedimento em casa. Dessa
forma, a pessoa fica livre para realizar suas
atividades diárias normalmente.
No tratamento domiciliar, a solução
de diálise é infundida na cavidade
abdominal do paciente. Conforme o sangue circula
pela membrana peritoneal, tecido semipermeável
que reveste internamente o abdome, as impurezas
e a água do sangue são absorvidas
pela solução de diálise.
Sobre a RIMVIVER
A Associação dos Renais Crônicos
de Caxias do Sul – RIMVIVER foi criada em
27 de junho de 1993, por pessoas com insuficiência
renal crônica e seus familiares, que realizavam
encontros e se reuniam em suas residências.
Em 1998, a entidade, com o auxílio de alguns
acadêmicos de administração
da Universidade de Caxias do Sul, implantou o
projeto RIMVIVER tendo como missão a integração
e a inclusão social da pessoa com insuficiência
renal crônica.
Com o objetivo de desenvolver ações
visando à qualidade de vida do insuficiente
renal crônico e seus familiares, e sua integração
na comunidade, a Associação RIMVIVER
trabalha na defesa dos direitos do insuficiente
renal crônico, participando ativamente enquanto
Associação na criação
de leis que beneficiem estes demandatários.