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Doces
lembranças
Na
alegria da folia
Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br
Quando vocês lerem este artigo, provavelmente
serei uma no meio dos quase dois milhões de pessoas
que estarão seguindo algum trio elétrico no
carnaval de Salvador, na Bahia. Como atrás do trio
elétrico só não vai quem já
morreu, todos os anos aproveito esse momento momesco para
verificar se continuo realmente viva. E me surpreendo ao
perceber que tenho um estoque de energia que parece inesgotável.
Sei que não é fácil acompanhar o meu
pique. Mas para quem quiser se aventurar comigo, o meu segredo
é estar sempre me reabastecendo com muitas doses
de alegria, pensamentos positivos e escolha de boas companhias.
Esse ano, o meu irmão Carlinhos, foi uma delas.
Acho que eu já nasci ligada nos 220 volts. Sou tão
elétrica que, às vezes, até dou choque.
Adoro dançar, amo cantar e me sinto muito à
vontade com os mais diversos ritmos de música. Na
minha casa o som está sempre ligado e vira e mexe
me vejo dançando, mesmo que sozinha, na sala, no
quarto. Cair no samba, então, é comigo mesmo.
Principalmente nas festas de rua, nas quais se misturam
pessoas de diferentes nacionalidades, nível de instrução,
objetivos de vida e classes sociais. É um momento
único de respeito às diferenças, à
diversidade.
O carnaval é uma destas festas que me deixam feliz.
Desde pequena eu curtia já as matinês nos Clubes
do Bonfim e Andorinha e, depois, do Circulo Militar. Para
Salvador eu viajo desde o início dos anos 1990, na
época das mortalhas, vestimenta utilizada nos blocos
soteropolitanos, antecessoras dos atuais abadás.
Mas é sobre os anos 1980 que quero contar neste artigo
por envolver meus amigos do Jardim Chapadão em divertidos
desfiles na avenida Francisco Glicério. Para quem
não acreditar, temos até fotos para provar:
o Celso e a Susi Perales, que moravam na rua Jacob Bereck
Stemberg, a Tata (Maria Aparecida Alexandre Alves), que
vivia na rua Sampaio Vidal, e eu nos aventuramos como passistas
das escolas de samba Rosa de Prata e Unidos do Salgueiro,
destaques, naqueles tempos, do carnaval campineiro.
Acontecia que, como jornalistas, éramos obrigados
a trabalhar em plena festa de Momo na cobertura do carnaval
de rua e dos bailes promovidos pelos principais clubes sociais
da cidade. Decidimos, então, transformar a obrigação
em diversão e, assim, criamos um animado grupo que
aproveitava o descanso dos microfones, câmaras de
TV, máquinas fotográficas e papeladas de anotações
para curtir o pobre e sempre mal organizado carnaval popular
da cidade. Participamos desde o primeiro desfile dos blocos
Tomá na Banda, criado no Bar Ilustrada, e da City
Banda, idealizada no City Bar pelos bons boêmios e
músicos da cidade.
Os presidentes e diretores das escolas de samba precisavam
colocar um número mínimo de alas e passistas
para receber a autorização para o desfile
e, consequentemente, verba da Prefeitura. Como não
havia - e até hoje não há - interesse
da maioria da população em participar do carnaval
de rua campineiro, resolvemos ajudar. Formamos a ala da
Imprensa e convidamos os amigos para integrá-la e
garantir o número de foliões para que pelos
menos duas escolas - uma do primeiro e outra do segundo
grupo - descessem a avenida.
Em um dos anos, na Rosa de Prata, o enredo contava a história
da cidade na época do café. Nossa ala representava
os senhores dos engenhos: as mulheres transformaram-se em
sinhazinhas, dentro de um quente e rodado vestido cor-de-rosa
com mangas bufantes e babados no peito, tendo como acessório
uma sombrinha de renda branca. A minha quebrou-se ainda
na concentração, sob a ponte da via expresa
Aquidabã, e, para mantê-la aberta fui obrigada
a passar todo o desfile segurando a trava para que as varetas
permanecessem abertas e a escola não perdesse pontos.
Os homens trajavam calça branca, camisa rosa e casaca
e cartola prateados. Remexendo em minha grande coleção
de fotos, encontrei o Celso Perales, parado no meio da avenida,
enquanto todos dançavam à sua volta.
Em outro ano, formamos a ala dos espanhóis. Com vestidos
negros e vermelhos e flores nos cabelos, encontrei a Susi
Perales e a Tata divertindo-se com a gente. Em outra oportunidade,
nos fantasiamos de pierrôs e colombinas. Das bandas
também encontrei diversas fotos nos meus antigos
álbuns, doadas por fotógrafos que cobriam
os eventos, já que naquela época não
existiam câmaras digitais ou celulares (parece um
absurdo, né?). Até que éramos criativos:
no primeiro ano do Tomá na Banda, nosso bloco foi
formado por Rê Bordosas e Juvenais (o garçom
do bar que a personagem do Angeli frequentava em seus quadrinhos);
de outra vez encontrei fotos minhas com shorts com suspensórios,
boné com a aba virada para traz da cabeça
e estilingue nas mãos.
Deu saudades. E, por isso, este ano decidi formar um novo
bloco para acompanhar a City Banda. Transformamos a Hammer
Academia no bloco Hammer Folia e conseguimos, em apenas
três dias, reunir 50 integrantes. Como ninguém
contava com a pontualidade do desfile no sábado,
dia 6 de fevereiro, alguns dos nossos foliões só
chegaram quando o desfile já havia terminado. O Clovinho,
a Lara (novo pseudônimo da Lazinha) e o Bruno Cordeiro
vestiram o nosso abadá. Para o próximo ano,
conforme já combinado com o Gustavo Lopes, dono da
academia, vamos, no mínimo, triplicar o número
de participantes. Os amigos do Chapadão, se desejarem,
já estão convidados para integrar o nosso
condão.
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O jornalista
Clovis Cordeiro faz

"A
Defesa do Bairro".
Participe
da campanha de combate ao transmissor da Dengue.
A participação
de todos é fundamental para a construção
de uma Campinas melhor.
jornaldecampinas@globo.com
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