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Encontro de amigos

 

 

Um clima de festa. Entre uma taça de vinho e petisquinhos disputados com elegância, amigos que não se viam, agora em largos abraços. Alegres, põem a conversa em dia. Estão ali amantes da leitura... e de um bom papo, gente do cotidiano social da cidade, alguns até mais famosos, que acabam alvos de atenções: "o do lado da estante, não é o Pazzianotto? Olha ali na frente o Jonas! E aquela de cabelo bem branquinho, quem é?"
É a noite de Jorge: diante de uma pequena mesa, escreve algumas linhas no seu novo livro "Crônicas de Campinas", entrega-o ao convidado a sua frente... e já busca o próximo da longa fila que se forma dentro da livraria.
No meio daquele burburinho, dispensando todos que o requisitam, quem fala comigo? O Isolino, jornalista, orador e advogado empresarial. Sempre rápido nas palavras, desfere seu humor inteligente, um brilho nos olhos. Em 48 era redator do Correio Popular: editava uma página literária que marcou época, o "Minarete". Quinze anos depois, já dirigia a redação do jornal, e todos nós, no começo da noite, íamos à sua sala para planejar a edição do dia seguinte.
À minha frente o Expedito, autor de vários livros. Sério, formal nas palavras, é a personificação do intelectual. Vive pelo seu Instituto, que criou e que a todos pede apoio e adesão. Quantos precisavam ter a sua fibra: apesar do peso dos anos, se desdobra em reuniões, almoços, encontros festivos, boletins mensais repletos de informações e mensagens, ricos de amor pela causa abraçada. Cultiva a história, a geografia e genealogia de Campinas, mergulha fundo no passado da cidade.
Dou mais dois passos, e dou com o empresário Jacobucci.
- Você ainda guarda os carros antigos naquele galpão lá no começo da Washington? Não, ele não é mais o colecionador de 83, mas, ao lembrá-lo disso, sinto que se emociona: faço-o voltar algumas décadas na vida. Comentamos o desprendimento que os colecionadores de carros antigos tinham por suas "raridades". Entre risos, recordamos quando, numa entrevista, contou a história do colecionador fanático que deu seu carro de luxo em troca da tampa do radiador de prata do calhambeque do Mazzaropi.
- Um passarinho que batia as asas metálicas, é possível?!
Agora é o professor e jornalista Mário Rubens quem me emociona:
- Conheci o seu pai, mestre de desenho técnico no Bento Quirino. Era do meu tempo de inspetor de ensino.
Já aos 90 e tantos anos, quantas histórias reúne: um dia, no Centro de Ciências, surpreendeu, a mim e a todos, dizendo que, em 37, era repórter do Diário do Povo: mostrava recortes de jornal comprovando tudo. Suas crônicas são inspiradas, puro lirismo.
Alguns convidados, a gente vê de longe, reconhece, lembra de um tempo passado, mas acaba não dando jeito nem para um mero aceno de mão. É o caso do empresário em comunicações Eduardo, que um dia me abriu a FR para um desafio profissional no "In" de Francis Robbins.
É muita gente para cumprimentar: o Castanho, o Lauro, o Eberlim, o Danilo, todo o staff do Centro de Ciências - o Marino, o Arley, o Eduardo Olavo, o Duílio, o Leôncio... Até uma autoridade estadual, a desembargadora Lígia do Tribunal de Justiça. Lembrei-me de outros que, certamente, estariam conosco naquela noite. Mas partiram mais cedo, sem perspectivas de volta.
A fila dos autógrafos ainda é grande, cada um com "Crônicas de Campinas - Séculos XIX e XX" na mão, esperando sua vez para uma palavrinha, um singelo gesto de carinho. E o Jorge Alves de Lima? Feliz. Seus amigos vieram todos para o lançamento do livro. Alguns, além disso, também para um largo abraço, depois de muitos anos distantes.

Gustavo Mazzola
é jornalista
mazzola@sigmanet.com.br

O jornalista Clovis Cordeiro faz

"A Defesa do Bairro".

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