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Mergulho
e doenças respiratórias
Embora a prática de atividade física seja
saudável até mesmo para aqueles que possuem
uma doença respiratória de base, o mergulho
é um esporte que requer cuidados redobrados.
Quando o individuo mergulha, os gases presentes no cilindro
de mergulho se dissolvem no sangue por causa da pressão.
O fenômeno torna-se mais intenso dependendo da profundidade
e dos gases utilizados. O ar comprimido é o mais
comum deles em mergulho recreativo, enquanto que, em maiores
profundidades, utilizam-se misturas de gases, como hélio
e oxigênio ou hélio, oxigênio e nitrogênio.
O problema não é o mergulho em si, é
o risco de descompressão quando o indivíduo
sobe muito rapidamente. Quando estamos submetidos a pressões
maiores do que a atmosférica, uma maior quantidade
de gases se dissolve na circulação do sangue.
Se a subida para a superfície for muito rápida,
ou se o indivíduo tem doenças pulmonares que
limitam a eliminação destes gases, formam-se
bolhas na circulação, que geram êmbolos
gasosos, podendo causar infarto ou derrame cerebral, por
exemplo, alerta dr. Igor Bastos Polanio, membro da
diretoria da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia
(SPPT) e médico-assistente da clínica de pneumologia
da Santa Casa de São Paulo.
Nas doenças respiratórias obstrutivas descompensadas,
como asma e DPOC, o risco é especialmente maior,
pois o pulmão terá menor capacidade de eliminar
as bolhas de gases no processo de subida à superfície.
Algumas doenças como pneumotórax espontâneo
prévio e DPOC com enfisema bolhoso são contra-indicações
para a prática do mergulho.
Claro que o risco se aplica a todas as pessoas, mas
aquelas com doenças pulmonares devem procurar seu
médico antes de mergulhar. Algumas doenças
das vias respiratórias altas, como rinite e sinusite
crônica, se não estiverem compensadas, sofrem
risco de complicações durante o mergulho.
Pessoas com gripes e resfriados também devem evitar
o mergulho. Entre outros males, pode ocorrer ruptura do
tímpano ou algum problema na estrutura do ouvido
que afeta o equilíbrio, afirma dr. Igor.
Outro alerta importante é sobre vôos depois
do mergulho. Como a doença descompressiva pode se
manifestar até 48 horas após o mergulho, este
é um período que não se deve voar,
já que na altitude o fenômeno de formação
de bolhas é muito maior.
Para o mergulho, é preciso alinhar preparo físico
e boas condições de saúde. Mesmo que
o mergulhador tenha um bom condicionamento, a situação
clínica é imprescindível para determinar
se a prática está liberada. As principais
causas médicas relacionadas a acidentes fatais, excluindo
o afogamento, são as ocorrências de barotrauma
pulmonar e de complicações agudas de doenças
cardíacas, que também podem estar associadas
a doenças preestabelecidas.
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O jornalista
Clovis Cordeiro faz

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