O que quero para minha velhice: Sabedoria ou amargura?



Desde já você está fazendo uma escolha: se na velhice você vai ser sábio ou amargurado. Sábio de sabor, de saborear, de sentir gosto, prazer, alegria. Saborear a própria idade, a companhia dos outros, o trabalho que se faz, o lugar em que se mora, a vida que se leva. Saborear as boas experiências, os conhecimentos adquiridos, o prazer em partilhar.
Quem não é capaz de saborear a vida que vive, o tempo que passa, a companhia que enriquece, envelhece logo, prepara uma velhice amargurada. O que é isso? É não saber valorizar as experiências do passado, como sábio, é colocar-se numa postura de vítima, reagir negativamente, achar que tudo está errado, que o mundo não tem mais jeito e as pessoas estão perdidas.
Gente assim precisa mudar de óculos porque não vê o mundo nem preto nem branco, nem verde nem azul. Vê tudo cinzento: vê o mundo com o amargor que tem dentro de si. Não percebe que não é o que está fora que está ruim e perdido, mas o que está dentro, em seu interior.
Temos que nos preparar para contemplar o presépio: entender todos os símbolos e sinais, o recado que Deus nos dá através das imagens. Mais que isso: através do nascimento. Cada peça do presépio é uma mensagem viva, atual: a escuridão da noite, o burrinho que carregou a mulher grávida, a vaca que dá o leite para a criança, a mensagem do anjo, os pastores, o marido atencioso e forte, a criança. E que criança!
Criança de luz, criança de Deus, criança esperança. É essa esperança a principal mensagem que a criança traz. Criança que é fé, certeza de mudança. "A fé leva ao amor e os dois juntos nos levam à esperança", disse alguém. Por isso, podemos dizer, inspirados em São João: alguém que diz que tem fé, mas não ama ou não tem esperança, é mentiroso.
Essa correria para as compras de Natal, os presentes, as mesas fartas, são uma verdadeira fuga do silêncio, da contemplação, da viagem para o interior de si mesmo. Quem não fizer essa viagem não vai encontrar a criança e tudo o que ela está trazendo de bom para a humanidade, para o ser humano.
Agora inventaram essa história de que é preciso tirar a cruz de nossas lojas, estradas, câmaras, fóruns... Que pobreza de espírito! Que mentalidade obtusa! O que fazer com o presépio? Como contar essa história do nascimento de Jesus se não podemos usar mais as imagens? Contudo, trocaram a imagem da criança pela imagem do Papai Noel. As árvores e os shoppings, as vitrines e as casas de comércio estão cheias de Papai Noel, mas não há nenhuma imagem da figura principal que é a criança, o Deus que se faz humano, que vem morar com os humanos, "que se faz pobre para nos enriquecer".
Esconderam a criança. Estão com vergonha de mostrar a criança, e o que essa criança representa. Nem mesmo conseguem entender o verdadeiro sentido do Papai Noel. O que essa figura representa, ensina, questiona, condena e propõe.
Não perca essa oportunidade. Não deixe passar o Natal sem procurar a criança que está dentro de você. Ao menos uma vez, troque a viagem para o Shopping, para uma viagem ao seu interior. Vá ao encontro dessa criança para falar com ela, aprender com ela e descobrir a beleza de ser e viver como criança para, um dia, entrar no Reino dos Céus.
Côn. Luiz Carlos F. Magalhães é jornalista
e pároco da igreja Cristo Rei
dezembro de 2009

 

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