O segredo de compreender a todos
* Erika de Souza Bueno
Devemos exercitar nossas capacidades de considerar
o outro um ser tão merecedor de respeito assim como
nós, independentemente de ele compartilhar ou não
de opiniões semelhantes às nossas. Sem isso,
corremos o risco de atropelar as pessoas, levando-as
a ter sequelas que podem durar uma vida inteira.
Parece que, às vezes, ensaiamos palavras de respostas
e ofensas a outras possíveis pessoas que poderão,
ainda que remotamente, falar ou fazer algo que nos cause
alguma forma de desagrado.
É necessário revermos nossa capacidade de
primeiro oferecer ao outro aquilo de que gostaríamos
que a nós fosse oferecido, ou seja, dar primeiro
para depois, somente depois, recebermos em tempo oportuno,
não necessariamente no nosso tempo, o pagamento pelos
nossos feitos.
Há pessoas, por exemplo, que ao chegar a um degrau
superior ao de outra na escala social julgam-se no direito
de não precisar mais do exercício da subordinação,
característica que deve ser exercida tanto para com
aqueles que estão numa posição superior
à nossa quanto para aqueles que estão em degraus
socialmente inferiores. Isso mesmo, a subordinação
é muito mais do que referenciar alguém que
está em escala superior, até mesmo pelo fato
de que isso poderia ser fácil demais.
É sempre preciso estender a subordinação
a todas as pessoas, quaisquer que sejam elas, independentemente
do grupo social de que possam fazer parte, ou da conta bancária
que tenham sob seu domínio. É perfeitamente
possível nos subordinarmos às mais diversas
características de todas as pessoas. Por exemplo,
se uma pessoa tem dificuldade de entender nosso vocabulário,
é uma atitude de subordinação adequar
nossas falas, de um modo que a mensagem realmente chegue
ao nosso receptor.
A real subordinação não é mesquinha,
não é hipócrita, não busca os
seus próprios interesses. A subordinação
é bela, modesta e entende o outro como parte fundamental
de si mesmo, da vida em comunidade, numa atitude de civilização.
O que seria de nós, que muitas das vezes nos julgamos
tão importantes, sem alguém para nos fazer
sentir completos?
* Erika de Souza Bueno é Editora
e Consultora-Pedagógica de Língua Portuguesa
do Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br).
Professora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade
Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos
de língua portuguesa e família.