Rua Barros Monteiro, 108 -Jardim Guanabara - 19 - 3242-9034 - Em frente ao Bosque dos Alemães

Crônica para uma amiga que se foi

 


Diz o poeta-educador Rubem Alves que a "saudades é a presença de uma ausência." E essa presença, que marca a ausência, se apresenta em nosso coração na forma de dor - a dor da saudades que pesa na alma... E dói fundo! É o que todos/as nós que moramos aqui no Jardim Chapadão estamos sentindo com a perda de nossa amiga, muito querida, Terezinha Pacheco. Ou simplesmente, Tere!

Como disse alguém, a Tere fazia parte de nossa paisagem. Todos os dias a encontrávamos passeando pelas ruas do bairro ou na praça defronte a Vila Militar com a Nina, uma poodle que ela recolheu das ruas e que amava com paixão. Seu bom humor e disposição em ajudar, levavam-na para a cozinha onde preparava deliciosos pratos que dividia prazerosamente com amigas, vizinhos ou quem precisasse. Gostava de comemorar e partilhar os bons momentos.

Tere tinha uma memória incrível para cantar letras de musica ou declamar poesias. Sua habilidade ímpar para bordar fazia de seus bordados verdadeiras pinturas pela perfeição e delicadeza dos pontos, que se transformavam em coloridas e esvoaçantes borboletas, flores das mais belas e variadas... beleza que deslumbrava olhos e corações. Ela era o que se costuma chamar de "bom papo". Gostava de conversar e para cada um que encontrava pela manhã ou à tardinha, desejava um bom dia ou uma boa tarde, com um sorriso, uma palavra amiga, uma palavra de conforto, uma palavra alegre.

Tere amava a natureza! Outono e inverno eram suas estações preferidas. Encantavam-na o céu azul "de brigadeiro" - como ela dizia - o ar transparente, translúcido, as folhas e flores espalhadas pelo chão. Lembravam-na das muitas viagens pela Europa com seu companheiro Nelson e amigos queridos.

Seu grande coração estava sempre aberto e pronto para cuidar de cães e gatos perdidos ou abandonados. Nenhum deles passou por ela sem receber um agradinho, um cuidado, um biscoitinho, um prato de ração, um pouco de leite... Recolheu muitos e deu-lhes um lar, abrigo e muito, muito amor. E ai daqueles que ousassem maltratá-los! Defendia-os como filhos seus.

Eu poderia continuar a enumerar as muitas qualidades que faziam da Tere uma vizinha-amiga-irmã... Mas deixo para cada um/uma que a conheceu, relembrar e guardar em seu coração - pois o que o coração ama a memória guarda - a amiga que se foi em uma manhã de inverno de céu azul de brigadeiro, deixando saudades... Tere!


Vera Chvatal - verapsico@gmail.com

O jornalista Clovis Cordeiro faz

"A Defesa do Bairro".

Participe deste movimento com sua sugestão ou crítica.

A participação de todos é fundamental para a construção de uma Campinas melhor.

jornaldecampinas@globo.com

Direitos reservados ©Grupo Jornal do Castelo