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*Anderson Cavalcante
Quando criança, você, assim como a maioria dos
garotos e garotas, criou um super-herói só seu.
Esse grande homem era aquela pessoa que sempre estava por
perto quando o perigo surgia. Se houvesse um problema grande
e insolúvel, era só gritar o seu nome para que
tudo se resolvesse de maneira tão simples, como um
passe de mágicas. Os monstros e medos do desconhecido
passavam longe quando ele te abraçava e, por isso,
você sustentava apenas uma certeza: queria ser igual
a ele quando crescesse. Hoje, entre tantos papeis que a vida
lhe impôs, você se esqueceu da sua principal atuação?
Você é um herói para seu filho, assim
como seu pai foi para você?
Uma recente pesquisa realizada em todo o Brasil com 860 pais
de faixas econômicas diversas deixa claro uma diferença
entre as concepções educativas e as intervenções
concretas deles sobre seus filhos adolescentes. A maioria,
84%, defende que os pais nunca devem acreditar nos filhos.
Já 57,4% concordam que os pais têm o direito
de dar palpite em tudo o que o filho faz.
Talvez esses pais que participaram da enquete tenham realmente
esquecido aquilo que importava para eles quando ainda eram
crianças. A preocupação e o amor excessivo
pode não ser, muitas vezes, algo bom para nós
e para a pessoa que queremos proteger. A relação
entre pai e filho tende a ficar desgastada quando os superiores
recorrem à vigilância diária para saber
quais as atividades que o adolescente está desenvolvendo,
quais os lugares ele frequenta e com quais companhias.
Lembre-se que não é preciso ser um detetive
do seu filho para saber informações sobre ele.
Por que simplesmente não perguntamos e acreditamos
na resposta? Se não confia nele, provavelmente não
desenvolveu algo fundamental para uma boa relação
entre duas pessoas: a relação de confiança,
que só é construída com amizade, verdade
e muito respeito. Não basta ser pai do seu filho, impor
regras, limites e decisões. Os pais devem criar afinidades
com o seu primogênito, buscar o entendimento de pontos
de vista diferentes e explicar as mais diversas indagações
que a vida possa aplicar nos seus filhos.
Quando as opiniões forem muito divergentes, pense
que talvez você só adquiriu certa postura por
ter vivenciado outros tipos de experiência que seu pequeno.
O desafio é respeitarmos e, algumas vezes, apoiarmos
nosso filho mesmo não concordando com a escolha que
ele fez. Ser um bom pai é educar e formar um cidadão
que esteja pronto para viver sem precisar da figura paterna
ao lado, ou seja, você preparou tão bem essa
pessoa para a vida que ela sabe segui-la sozinha e tem total
autonomia para isso. Essa é a prova exata que você
foi um bom pai.
Porém, muitos pais não lidam bem com o sentimento
de ter um filho que não dependa deles. Então,
o desafio passa a ser a construção de um vínculo
nessa relação, uma conexão tão
forte que nem o passar do tempo, nem a distância, serão
capaz de separar algo que foi estruturado com respeito e amor.
Fique atento: o filho cresce na sombra do pai. Comece a analisar
que tipo de exemplo você tem sido para o seu filho.
Ele ainda te vê como um padrão a ser seguido?
Sabendo que ele te tem como uma referência e confia
em você, é realmente preciso tratá-lo
como alguém que não mereça o seu respeito
e admiração?
Aproveite o Dia dos Pais para analisar como anda sua relação
com seus filhos. Não deixe de lembrar que você
também é filho e converse com o seu pai. Retome
os desejos e valores da infância, sinta novamente a
confiança que um dia teve no seu velho
e faça seu filho sentir o mesmo por você. Diga
e assuma para a pessoa que é e sempre foi seu herói:
você é o homem da minha vida.
*Anderson Cavalcante É administrador de empresas com
ênfase em Marketing e MBC pela University of Florida.
É empresário e ministra palestra para as maiores
empresas do país, que buscam realizar ações
lucrativas, porém humanizadas. Foi reconhecido, em
2004, como o palestrante mais jovem do Brasil por realizar
palestras para empresários n exterior, no evento Expo
Business Japan. É autor dos best-sellers O que
realmente importa?; As coisas boas da vida,
lançado também na Europa, entre outras obras
produzidas pela Editora Gente. No Brasil, seus livros já
venderam mais de 370 mil exemplares. Para mais informações,
acesse www.andersoncavalcante.com.br
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