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*Prof Felipe Aquino
A doutrina cristã sempre valorizou o corpo humano por
entender que ele é bom. Desde os primeiros séculos,
os doutores da Igreja tiveram de combater a doutrina maniqueísta
que considerava a existência de dois deuses: um do bem
e outro do mal, sendo que tudo que era material era entendido
como obra do deus mau. Dessa forma, o corpo, por ser matéria,
era desprezado.
Entretanto, a fé cristã sempre viu no corpo
uma bela obra de Deus. O homem é uma unidade de corpo
e alma. O corpo é tão importante que, no mistério
da Encarnação do Verbo Divino, o Filho de Deus
assumiu a nossa carne. Por isso, a Igreja entende a grandeza
do corpo humano e a necessidade de valorizá-lo e protegê-lo
desde a gestação materna. É através
do nosso corpo que nos relacionamos como os outros, com a
natureza e com o cosmos. Ele não é apenas uma
máquina fria sem expressão.
Na pessoa humana, o corpo é um reflexo da vida interior,
tanto que expressa o cansaço do espírito, a
depressão da alma ou a alegria de viver. Para o cristão,
matéria e espírito são duas dimensões
do ser. O homem todo é obra boa de Deus, é um
ser racional que deve valorizar todas as atividades: físicas,
racionais, psicológicas e espirituais.
Também a Bíblia ressalta a grandeza do nosso
corpo. São Paulo fala do cristão como o templo
vivo da Santíssima Trindade. Jesus disse aos
apóstolos que, se alguém me ama, meu Pai
o amará, viremos a ele e faremos nele nossa morada
(João 14,23). E é por isso que São Paulo
é tão severo ao advertir os coríntios
sobre a necessidade de se manter a pureza do corpo. Não
sabeis que sois o templo de Deus e que o espírito de
Deus habita em vós? (I Cor 3,16).
Esses ensinamentos fazem com que o cristão saiba usar
o seu corpo com dignidade, sobretudo na vida sexual, expressão
maior do amor conjugal. Por isso, o sexo não é
vivido nem antes e nem fora do casamento. Quando Deus une
o casal para sempre, como uma só carne, este se torna
um compromisso de vida na dor e alegria. Fora do casamento,
toda relação sexual se torna vazia, porque perde
o sentido unitivo e procriativo. Pela relação
amorosa dos seus corpos, homem e mulher celebram a liturgia
conjugal e são capazes de dar vida a um novo
ser que, como eles, é imagem de Deus.
Por outro lado, o corpo não pode ter uma primazia sobre
o espírito. Na antiguidade, se valorizava somente o
espírito, desprezando-se o corpo. Hoje, corremos o
risco de ver o contrário acontecer. Há pessoas
que se tornaram escravas do corpo. O consumismo as convenceu
de que o mais importante é ser bonito fisicamente,
esbelto, magro. Muitas pessoas são convencidas de que,
se não estiverem de acordo com esses padrões,
não serão felizes.
Entretanto, Deus seria injusto se fizesse com que a felicidade
dependesse da cor da pele, do biótipo do corpo, da
ondulação do cabelo. O corpo não é
um fim em si mesmo, mas um meio para nos expressarmos. Michel
Quoist dizia ao jovem que, para ser belo, é melhor
parar cinco minutos diante do espelho, dez diante de
si mesmo e quinze diante de Deus. Se considerarmos esse
princípio, estaremos dando a justa medida às
coisas e, por consequência, trilhando o caminho da verdadeira
felicidade.
*Prof. Felipe Aquino é professor de física eautor
de mais de 60 livros; apresenta dois programas semanais na
TV Canção Nova: "Escola da Fé
e "Trocando Idéias (www.cancaonova.com)
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