O valor da consciência



O deputado Luiz Bassuma (BA), do Partido dos Trabalhadores (PT), foi suspenso por um ano porque pregou publicamente contra a orientação do partido, a não liberação do aborto. Conclusão: a fidelidade partidária é mais importante que a fidelidade à própria consciência. A que ponto chegamos! Será que é justo, correto, obrigar uma pessoa a ir contra a sua própria consciência? Infelizmente, até mesmo políticos católicos, na calada da noite, violam sua consciência por causa da fidelidade partidária. O partido os divide, os separa. Terrível hipocrisia quando se encontram na Oração do Pai Nosso e na Mesa da Comunhão. Eis um bom exemplo para muitos: “Entre o PT e a minha consciência, fico com a minha consciência”, afirmou o deputado. Teria você coragem de fazer isso?

Em que sociedade queremos viver? É ingênuo acreditar no que ouço dizer tantas vezes: “Eu não concordo com o aborto, mas não tenho o direito de proibir quem o quer fazer”. Frases de efeito, expressões dúbias, arrogância em entrevistas na TV, querer aparecer, perante os outros, como moderno e avançado, expressam diferentes formas de mascarar a realidade: “interrupção voluntária da gravidez”.

Não é possível debater a questão do aborto sem colocá-lo num contexto social e histórico. Precisamos conhecer o presente, mas também o passado. O aborto é praticado há séculos: não havia qualquer método de “regulação” dos nascimentos. Existia, sim, uma grande hipocrisia em relação à mulher e à sexualidade em geral. A mulher era propriedade do homem.

E o que vemos agora? Fala-se no “direito” da mulher que lhe garante uma total autonomia sobre o “seu corpo”! Se, antigamente, a mulher não contava para nada, agora é só o feto que não tem valor. Uma feminista americana de vanguarda, em 1873, escreveu: “Quando consideramos que as mulheres são tratadas como sendo propriedade de um terceiro, é degradante, para nós mulheres, tratar nossos filhos como uma propriedade, da qual podemos dispor conforme a nossa vontade”.

Infelizmente, o feminismo moderno mais radical separa a mulher do homem e separa a mulher de seu filho. Em um Fórum acontecido na Inglaterra recentemente afirmou-se que “(futuramente) um juiz poderá decidir que o Decreto sobre os Direitos Humanos de 1998 abrange o feto. Se isso acontecer terá graves implicações para a autonomia da mulher e para a lei do aborto no Reino Unido”. Vivemos numa sociedade em que o filho se tornou objeto.

Como conciliar uma visão do mundo tão individualista com uma visão cristã em que somos comunidade, filhos do mesmo Pai, irmãos em Cristo, responsáveis pelo bem estar uns dos outros?

Côn. Luiz Carlos F. Magalhães é jornalista

e pároco da Igreja Cristo Rei.

O jornalista Clovis Cordeiro faz

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